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Tancos. Ministro diz que “não faz sentido nenhum” demitir-se e fala em “bullying político” do CDS

Azeredo Lopes admite ser vítima de uma espécie de bullying político por parte dos centristas, mas garante encarar “com toda a normalidade” a constituição de uma comissão de inquérito sobre o caso do roubo de armas em Tancos

Azeredo Lopes falou esta manhã aos jornalistas em Bruxelas à margem da reunião da Defesa da NATO e aproveitou para revelar que Tancos nunca foi assunto entre pares e ainda para explicar uma frase que o vai marcar “para o fim” dos seus dias. O ministro da Defesa português encara com “normalidade” a comissão parlamentar de inquérito ao caso Tancos, mas considera os sucessivos pedidos de demissão por parte do CDS “uma espécie de bullying político”.

“[O caso de Tancos] causou embaraço e causa também o lado desagradável de qualquer militar estar envolvido numa investigação criminal”, começou por dizer Azeredo Lopes. “Respeito muito duas coisas: o que está sob segredo de Justiça e a presunção de inocência. Eu e os meus colegas não falámos de todo [no caso do desaparecimento e reaparecimento das armas]."

O CDS, liderado por Assunção Cristas, voltou a pedir na quarta-feira a demissão do ministro. Que reage assim: “Neste caso já tenho um bocadinho a pele dura: o CDS pede a minha demissão desde 3 de julho de 2017. Ao fim de um ano, três meses e dois dias, já criei alguma resistência. Não faz sentido nenhum. O que pedem é legítimo, é um partido político, está a fazer oposição. Encaro isso sem quaisquer hard feelings, embora às vezes até pareça uma espécie de bullying político.”

Azeredo Lopes diz que o Governo “agiu bem” neste caso e que “não hesitou” quando foi necessário aprovar verbas para reforçar a segurança.

"Já percebi, as declarações foram um desastre: não se pode fazer uma frase complexa com duas negativas"

Questionado sobre se acredita no cenário de não ter havido qualquer roubo, Azeredo Lopes aproveitou para esclarecer uma frase do passado. “É uma questão de português. Suponho que esteja a falar daquela célebre expressão que vai marcar-me para o fim dos meus dias. No ‘limite e por absurdo’ a frase continua. Eu posso dar a transcrição. O meu apelo era: espero que a investigação criminal avance o mais depressa possível para que, no limite e por absurdo, não se alegue que não houve um furto. Isto em português não quer dizer aquilo que me atribuíram. (...) Já percebi, em termos políticos, as declarações foram um desastre: não se pode fazer uma frase complexa com duas negativas. Já recebi a lição comunicacional e não torna a acontecer.”

Questionado ainda sobre a nomeação do novo diretor geral da Polícia Judiciária Militar, o ministro da Defesa foi taxativo: “Tenho plena confiança na pessoa que nomeei [Paulo Manuel José Isabel]. Fui eu que escolhi. É um perfil experiente, com relação entre várias polícias, com experiência clara na Polícia Marítima. Evidentemente, espero que neste momento sensível a instituição possa voltar serenamente ao seu caminho e fazer investigação”.

Azeredo Lopes deixou para mais tarde a reflexão sobre a eventual fusão entre a Polícia Judiciária e Polícia Judiciária Militar: “Não é a quente e no meio da tempestade que se tomam decisões serenas”.