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Marco António sobre ministro da Defesa: “Uma acusação destas é de uma gravidade sem precedentes”

O social-democrata e presidente da comissão parlamentar de Defesa espera que “não passe de um mal-entendido” a notícia de que o ministro da Defesa foi informado sobre a encenação da PJM na recuperação das armas. Mas Ângelo Correia, coordenador do PSD para a área da Defesa, diz que politicamente não pode reagir com base em “suposições

Vítor Matos

Vítor Matos

Editor de política

É uma acusação de uma "gravidade sem precedentes". E deve ser "objeto da comissão de inquérito" ao assalto a Tancos. O PSD reage a duas vozes à notícia do Expresso de que o ministro da Defesa foi informado da operação de encenação da PJM para recuperação do material furtado em Tancos. Azeredo Lopes, porém, disse ao Expresso o ministro invocou o segredo de justiça e respondeu categoricamente que "não" foi informado.

Marco António Costa, deputado e presidente da comissão parlamentar de Defesa, diz ao Expresso, "a título pessoal" esperar "que tudo não passe de um mal entendido". Mas acrescenta um comentário político: A título institucional entendo que uma acusação destas assume uma gravidade sem precedentes".

O coordenador do PSD para a área da Defesa e membro do Conselho Estratégico Nacional tem uma posição mais defensiva. Ângelo Correia diz ao Expresso que para já é difícil avaliar a informação uma vez que é a palavra de um contra o outro: "Como é que vamos debater o tema se um diz que sim não e outro que não?". E acrescenta que "politicamente" ainda é cedo para fazer quaisquer comentários, porque "não faz sentido fazer comentários sobre suposições". Isso não invalida, porém, segundo Ângelo Correia, que o Parlamento não venha a debruçar-se o assunto: "Vai ser obviamente objeto na comissão de inquérito" que deverá arrancar na Assembleia da República ao assalto de Tancos. No entanto, o coordenador do PSD para a Defesa prefere colocar a tónica na investigação judicial: "É um facto que cabe no papel do inquérito da PGR que está a decorrer. Estou convencido que essa matéria vai ser esclarecida nesse inquérito",

O Expresso noticiou na manhã desta quinta-feira que, no final do ano passado - e já depois do material ter sido recuperado -, o major Vasco Brazão, investigador da PJM, e o diretor daquela polícia, coronel Luís Vieira, deram conhecimento ao ministro da Defesa da encenação montada em conjunto com a GNR de Loulé em torno da recuperação das armas furtadas. O oficial garantiu isso mesmo, esta terça-feira, ao juiz de instrução durante o interrogatório de oito horas no Campus da Justiça.

De acordo com fontes do processo, Vasco Brazão garantiu no tribunal ter entregue pessoalmente, no final do ano, um memorando com a explicação de toda a operação ao chefe de gabinete de Azeredo Lopes, acrescentando que o chefe de gabinete contactou telefonicamente o ministro, à frente dos dois militares da PJM, para o informar da situação.

Confrontado pelo Expresso, o ministro da Defesa recusou-se a comentar ao Expresso a informação dada por Vasco Brazão ao tribunal, invocando o segredo de justiça. Contudo, questionado sobre se foi ou não informado, o ministro da Defesa respondeu categoricamente que "não". Nem antes dessa operação ter sido realizada, em outubro, nem depois dela, no final do ano de 2017.