Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

‘Geringonça’ com Santana e o CDS? “Logo se verá”, diz Rio. E deixa recado sobre Joana Marques Vidal

luís barra

Líder do PSD deu entrevista à RTP na qual admitiu entendimentos alargados à direita, ainda que não saiba ao certo o que é a Aliança de Santana. Quanto à polémica da PGR, não alinha com Passos mas faz reparos ao Governo. Quanto aos críticos internos, respondeu assim: “É importante distinguir entre divergências genuínas e divergências táticas”

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

A sua posição sobre o assunto não tinha ficado clara mas ficou um pouco mais na entrevista desta quinta-feira à noite à RTP. “Se o Governo tivesse desejado continuar no mesmo caminho, seguir uma linha de continuidade, então faria todo o sentido ter reconduzido Joana Marques Vidal. Se não o fez, por alguma razão terá sido.” Ainda assim, o líder social-democrata não acredita que tenha havido outros interesses para a não recondução, conforme sugeriu recentemente Pedro Passos Coelho, ou que a decisão tenha sido “estranha”, como avaliou Cavaco Silva. “Não quero acreditar nisso”, disse Rio.

As eleições de 2019 foram um dos assuntos em cima da mesa na entrevista desta noite com o jornalista Vítor Gonçalves. Questionado sobre a possibilidade de uma “geringonça à direita”, formada pelo PSD, CDS e novo partido de Santana Lopes, Rio não disse que sim nem que não (“logo se verá”), mas lembrou que o partido de Cristas tem sido o “parceiro natural” do PSD. Quanto à possibilidade de uma aliança com Santana, referiu que “ainda nem sequer” sabe qual é o novo partido do ex-líder social-democrata. Uma coisa ficou clara - o PSD “vai a eleições para procurar ganhar, tal como todos os partidos”, e Rio não tem dúvidas de que daqui a um ano poderá estar a “discutir os resultados taco a taco” com o Partido Socialista. “A partir do momento em que assumi a liderança, tenho o objetivo de ganhar as eleições.”

Para isso acontecer, no entanto, é preciso que “aqueles que vão provocando ruído e deturpando a imagem do partido assumam as suas responsabilidades, porque ao criar instabilidade estão a fazer o jogo do PS”, disse Rui Rio, deixando assim uma mensagem aos seus críticos dentro do partido. “É importante distinguir entre divergências genuínas e divergências táticas”, acrescentou.

O jornalista da RTP quis ainda saber quais são as propostas concretas de Rui Rio e se acredita que, neste momento, os portugueses “já perceberam qual é a diferença entre ele e o PS”, mas o líder social-democrata não se alongou no tópico, justificando com o pouco tempo concedido de entrevista, “30 minutos apenas”. “A grande diferença tem que ver com a forma de fazer política, seja em relação ao PS, seja em relação ao CDS ou a outro partido qualquer. Estou apostado em dialogar com todos, é meu dever patriótico fazer isso. E a minha forma de fazer política implica colocar Portugal em primeiro lugar, o partido em segundo e nós próprios em terceiro, algo que o PS não tem feito ao longo dos anos”, disse, citando Sá Carneiro. Mas e propostas?, insistiu Vítor Gonçalves. “Criámos um conselho de estratégia nacional e já temos quatro propostas e este mês talvez ainda saia uma quinta. Tenho propostas para os temas mais importantes do país”, respondeu apenas.

Os 30 minutos de conversa ainda permitiram abordar o tema do descongelamento das carreiras dos professores. “Se eu prometer alguma coisa, tenho de saber se é exequível”, disse Rui Rio, passando da crítica mal disfarçada à óbvia: “O governo prometeu aquilo que sabia que não podia cumprir”. Sobre o aumento salarial dos funcionários públicos que têm salários mais baixos, que estará em negociações, o líder social-democrata disse ser “popular, e também justo, dar dinheiro a quem tem menos”, mas que o grande problema da função pública, ou o “problema sério”, é ter “trabalhadores em topo de carreira com salários baixos”.