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CDS. Comissão de inquérito deve investigar “quem está a mentir” sobre Tancos

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Sem querer comentar o conteúdo do interrogatório do major Vasco Brazão, que garantiu ter posto Azeredo Lopes a par da operação de encobrimento para devolver as armas de Tancos, o CDS defende que “a cada dia que passa, é mais clara a necessidade de uma comissão de inquérito”

“A situação é grave em qualquer caso”. Perante a notícia de que o major Vasco Brazão terá informado, como o próprio garante, o ministro da Defesa sobre a operação de encobrimento que resultou na devolução das armas roubadas em Tancos, o CDS recusa comentar informações sob segredo de Justiça, mas confirma que a situação é grave e que será investigada pela comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre Tancos.

Questionado pelo Expresso, o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, comenta que à luz destas informações, “a cada dia que passa, parece mais clara a necessidade de uma comissão de inquérito sobre o assunto”. Até porque, se o ministro se apressou a negar ter sido informado sobre a operação de encobrimento concertada entre a Polícia Judiciária Militar e a GNR, o CDS diz que cabe à comissão perceber “quem está a mentir”.

Os democratas-cristãos, que propuseram a criação desta CPI na semana passada, desde o início frisaram que, para não colidir com a investigação criminal em curso, o ângulo das perguntas a fazer em contexto parlamentar seria o das responsabilidades políticas. Já antes desta revelação o CDS defendia que o ministro Azeredo Lopes, tal como o chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, não tinha condições para continuar no cargo - uma crítica a que Azeredo respondeu esta sexta-feira, acusando o CDS de fazer “bullying político”.

Conforme o Expresso noticiou, esta semana o major Vasco Brazão, investigador da PJM, garantiu em tribunal ter entregado pessoalmente no final do ano passado um memorando com a explicação de toda a operação que permitiu recuperar pelo menos parte das armas roubadas sem levar o principal suspeito à Justiça ao chefe de gabinete de Azeredo Lopes. Este responsável, acrescentou Brazão, terá contactado telefonicamente o ministro de seguida para o informar da situação.