Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Azeredo Lopes: “É totalmente falso que eu tenha tido conhecimento de qualquer encobrimento”

FRANÇOIS LENOIR / Reuters

O ministro da Defesa nega “de forma categórica” ter sido informado do encobrimento do roubo do material de Tancos. Azeredo Lopes diz ter tomado conhecimento do caso “como todos os portugueses”. E diz que não “fala pelo chefe de gabinete”, que ainda no ano passado deixou o cargo

O ministro da Defesa negou esta tarde que tenha sido informado da encenação montada na Chamusca, contrariando o que terá dito o major Vasco Brazão ao juiz de instrução do caso Tancos. Em Bruxelas, e à margem de uma reunião da NATO, Azeredo repetiu várias vezes que não sabia do encobrimento antes de ter sido tornado público.

"Não tive conhecimento de qualquer facto que me permitisse acreditar ter havido um qualquer encobrimento no processo dito da descoberta do material militar de Tancos", disse aos jornalistas, adiantando ter sido surpreendido "com notícias de acusações de que teria qualquer conhecimento relativamente a este ou aquele encobrimento".

Fontes do processo adiantaram ao Expresso que Vasco Brazão garantiu no tribunal ter entregue pessoalmente um memorando com a explicação de toda a operação ao chefe de gabinete de Azeredo Lopes, acrescentando que o chefe de gabinete contactou telefonicamente o ministro, à frente de Brazão e do coronel Luís Vieira.

Confrontado com este encontro, Azeredo Lopes voltou a repetir que "é totalmente falso que tenha tido conhecimento de qualquer encobrimento", mas escusa-se a falar sobre o anterior chefe de gabinete, Martins Pereira, ou sobre a entrega de um memorando.

"Não vou falar pelo meu chefe de gabinete nem desenvolver mais este tópico", disse. Em dezembro do ano passado, o major-general Martins Pereira foi promovido a tenente-general, tendo por isso de abandonar o cargo no Ministério da Defesa.

Azeredo Lopes recusa também comentar o que disse Vasco Brazão em tribunal. "Uma pessoa que tanto quanto sei nem sequer conheço", disse, referindo-se ao investigador da Polícia Judiciária Militar. "Nunca estive com ele".

O ministro, que esta manhã tinha já falado sobre o caso à imprensa, afastando qualquer intenção de se demitir por causa da polémica em torno de Tancos, voltou a convocar os jornalistas para "negar categoricamente" e "olhos nos olhos" a possibilidade de ter sido informado pelos militares da encenação da recuperação das armas, no final do ano passado.

"Eu soube deste encobrimento exatamente como todos os portugueses, ou seja, na altura em que a Polícia Judiciária tomou a iniciativa de fazer o que é do conhecimento público", responde, escusando-se a mais dar mais detalhes, invocando "matéria que está em segredo de Justiça".

[Notícia atualizada às 14h20]