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Porque se recusa a “comer pipocas” enquanto o PS governa a câmara, Joaquim Jorge volta à carga em Matosinhos

RUI DUARTE SILVA

Chumbado pelo PSD há um ano, o fundador do Clube dos Pensadores lança no dia 6 de outubro o movimento Matosinhos Independente

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

“O candidato que não chegou a sê-lo”, título do livro escrito por Joaquim Jorge na ressaca da sua corrida em falso à Câmara de Matosinhos nas últimas autárquicas, não desiste de liderar o município natal, disposto a acabar com 44 anos de poder do PS e com o “pretensiosismo do partido que pensa que é o único que tem legitimidade para governar Matosinhos”.

A três anos de distância, o fundador do Clube dos Pensadores quer começar a aplanar o terreno de uma candidatura independente, desagradado com a forma de fazer política dos partidos tradicionais, “uma coisa malvista pelos cidadãos e feita só por e para políticos”. O ex-militante do PS, desfiliado desde 2008, escolhido pela concelhia do PSD de Matosinhos mas chumbado pelo plenário de militantes - “manobrados por Marco António Costa, o homem invisível do aparelho laranja”, afiança Joaquim Jorge -, diz ser “um erro garrafal” os partidos fecharem-se sobre si próprios e sem cuidar de ouvir e dar voz aos cidadãos mais vulneráveis: “É não compreender a democracia”, frisa o pré-candidato independente a a Matosinhos, que quer influenciar o futuro do município liderado por Luísa Salgueiro.

Contra conformismo e pipocas

Apesar de referir que é amigo da atual presidente da Câmara de Matosinhos, Joaquim Jorge recusa-se a assistir sentado e “a comer pipocas” a mais três anos de gestão socialista, prometendo que o movimento e a plataforma Matosinhos Independente (MI) nasce como associação cívica mas também com a ambição de ser poder em 2021. Não sendo obrigatório que venha a ser o candidato do MI, o seu criador alega que “é natural seja o eleito natural” do movimento nas próximas autárquicas.

À questão se o MI é um movimento inspirado ou semelhante ao de Rui Moreira, o fundador do MI agradece “o elogio” mas recusa comparações: “O movimento de Rui Moreira é poder e quando concorreu da primeira vez teve o apoio envergonhado do anterior presidente da Câmara Rui Rio e de muitos sectores do PSD que não queriam Luís Filipe Menezes”, refere ao Expresso Joaquim Jorge, comentando que o lema de boa parte dos responsáveis do PSD/Porto era “todos menos Luís Filipe Menezes”.

O MI é apresentado publicamente no próximo sábado, no Sea Porto Hotel, em Matosinhos, tendo por padrinho Guimarães dos Santos, ex-diretor do IPO do Porto, Fernando Santos Neves, antigo reitor da Universidade Lusófona, e os desalinhados José António Barbosa, ex-líder da concelhia laranja de Matosinhos, e Ernesto Páscoa, também ex-líder do PS/Matosinhos, preterido pelo partido a nível distrital e nacional a favor de Luísa Salgueiro.

“São pessoas que estão comigo para melhorar Matosinhos. O resto passa-me ao lado, pois não sou militante nem do PSD nem do PS”, diz Joaquim Jorge, que não tem dúvidas de que o MI será uma alternativa de poder “ao ampliar o perímetro da democracia de quem não vota em partidos e quer participar nas tomadas de decisão do concelho”.

No final do primeiro encontro entre fundadores do MI e simpatizantes, o biólogo e docente de profissão fará um balanço do primeiro ano de liderança de Luísa Salgueiro: “Mais um rosto do ‘continuismo’ do PS, que é uma ameaça perigosa em Matosinhos e na política portuguesa”, conclui.

Entre as propostas a anunciar pelo MI, estão a limitação de mandatos alargada a todos os membros de executivo autárquico e não apenas aos presidentes de câmara e um maior travão às situações de incompatibilidade de funções, ou seja, “uma pessoa, um cargo público”.