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Política

PCP inicia jornadas parlamentares para afirmar “política alternativa”

João Oliveira, líder parlamentar do PCP

Marcos Borga

Os comunistas vão começar esta segunda-feira as suas jornadas parlamentares, em Santarém. O objetivo é marcar o terreno para as próximas eleições e assinalar as diferenças entre PCP e PS. "Valorizamos muito as medidas positivas que foram tomadas, mas não deixamos de sublinhar que os problemas estruturais do país estão por resolver e precisam de uma política alternativa", diz João Oliveira.

O PCP inicia esta segunda-feira as jornadas parlamentares de dois dias no distrito de Santarém centradas na “política alternativa” que o partido defende ser “possível e necessária” para responder aos problemas estruturais do país.

“Decidimos realizar estas jornadas parlamentares no distrito de Santarém porque corresponde a um distrito onde é muito evidente o que queremos que resulte destas jornadas: a afirmação de uma política alternativa”, justificou o líder parlamentar do PCP, João Oliveira.

Segundo João Oliveira, a política alternativa defendida pelo PCP é abrangente, mas destina-se a resolver problemas concretos como os dos setores produtivos, do investimento em infraestruturas, do apoio à produção nacional, bem como a responder à necessidade de valorização dos trabalhadores e da importância de ter “serviços públicos com qualidade”.

“Vamos procurar dar expressão concreta a esta política alternativa não apenas nas visitas que temos previstas, mas também nas próprias propostas que vamos apresentar nas conclusões destas jornadas”, afirmou o líder da bancada comunista, numa antecipação das jornadas parlamentares.

Questionado se o PCP acha possível captar o interesse do Governo para esta “política alternativa”, João Oliveira respondeu: “Mais importante do que convencer o Governo é convencer os portugueses a lutarem por ela”. “Valorizamos muito as medidas positivas que foram tomadas, mas não deixamos de sublinhar que os problemas estruturais do país estão por resolver e precisam de uma política alternativa que lhes dê resposta”, afirmou.

Entre esses problemas, João Oliveira apontou o endividamento e a dependência externa ou os défices estruturais, como o produtivo, demográfico, energético, científico e até alimentar. “Estes últimos três anos provaram que, mesmo quando à partida parece não haver força para alcançar determinados objetivos, a força que resulta da luta do povo e dos trabalhadores muitas vezes supera esses obstáculos”, salientou.

Questionado se tal vai ter tradução na apresentação de propostas do PCP para o Orçamento do Estado para 2019, João Oliveira admitiu que poderá haver algumas, mas defendeu que a política alternativa ultrapassa em “muito a matéria orçamental”

“O nosso foco não é a discussão do Orçamento do Estado, queremos nestas jornadas tratar da política alternativa e da demonstração não só da sua necessidade, mas também da sua possibilidade”, defendeu.

As jornadas, sob o lema “Afirmar a Política Alternativa para o desenvolvimento do País”, arrancam com uma visita logo de manhã à Casa-Museu dos Patudos, em Alpiarça, seguindo-se às 15h30 a sessão formal de abertura com intervenções do eurodeputado João Ferreira, de João Oliveira e do secretário-geral do PCP Jerónimo de Sousa.

Os 15 deputados do PCP dividir-se-ão depois em cinco grupos, que visitarão instituições tão diversas como as instalações da EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, S.A.) no Entroncamento, a Companhia das Lezírias em Benavente, a Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do Couço, os Bombeiros Voluntários de Mação ou as urgências do Hospital de Abrantes.

Na terça-feira, os deputados voltam a dividir-se em seis grupos para se reunirem, entre outros, com Comissões de Utentes da A23 e Ponte de Constância junto à Fábrica Caima ou com a União dos Sindicatos de Santarém.

Todos os parlamentares do PCP terão, no final das visitas, uma reunião conjunta, seguindo-se à tarde uma conferência de imprensa para apresentação das conclusões das jornadas parlamentares.