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Política

Jerónimo assume que existe um “magno problema”

Paulo Cunha/Lusa

O líder comunista não tem dúvidas de que “é tempo de romper” com o caminho que o País leva e até assume que a resposta aos problemas “não se faz com o Governo do PS”. A "geringonça" chegou ao fim? Ainda não. A situação política é um problema bicudo, mas o PCP não vai “desperdiçar nenhuma oportunidade” e o próximo Orçamento é uma delas

Arrancaram em Santarém mais umas jornadas parlamentares dos comunistas, com as habituais intervenções do líder da bancada, João Oliveira, do eurodeputado, João Ferreira e, claro, com o discurso de Jerónimo de Sousa. A cúpula do PCP está em uníssono contra os desvios de direita demonstrados pelo PS e voltam a insistir no slogan que fez as últimas campanhas eleitorais do partido e que, no arranque da "geringonça", deixou de ser trave mestra dos discursos oficiais do partido: uma “política alternativa, patriótica e de esquerda”. E, já agora, acrescenta Joao Oliveira, é preciso “um Governo que a concretize”.

O PS, para os comunistas, não está a cumprir. O Governo “mantém-se voluntariamente amarrado a condicionamentos e imposições” vindos de Bruxelas, diz João Ferreira. Toma opções que “limitam e condicionam as possibilidades de avanço” e mantém “intocadas as opções da política de direita”, acrescenta João Oliveira. É verdade que a mudança de rumo tem carácter de “urgência”, nas palavras do líder parlamentar do PCP, mas a morte da atual solução política ainda não está declaradas.

E é aqui que está o “magno problema”, como diria Jerónimo de Sousa no discurso final da abertura das jornadas parlamentares. O líder referiu por diversas vezes que “é tempo de romper”, que “está na hora de pôr fim” ou que é preciso “pôr travão” a opções políticas de fundo tomadas por este Governo, mas também sabe que o PCP não pode “desperdiçar nenhuma oportunidade para garantir e dar resposta aos direitos, interesses e aspirações” dos trabalhadores e do povo.

Para bom entendedor, as palavras de Jerónimo de Sousa bastam. O orçamento de Estado está aí e o rol de exigências dos comunistas também. Por isso mesmo o recado fica dado ao Governo e até as principais reivindicações do PCP ficam devidamente esclarecidas. Em nove pontos, o líder do PCP pediu aumento geral de salários, um salário mínimo de 650 euros a partir de janeiro, o reforço do financiamento dos serviços públicos, o descongelamento das progressões de carreiras na administração pública, o aumento das pensões com um mínimo de 10 euros e a partir de janeiro, o reforço do abono de família, o alargamento da gratuitidade dos manuais escolares, o apoio às micro e pequenos empresários e, finalmente, a redução dos custos da eletricidade e do gás.

Mário Centeno que vá fazendo as contas. “Este é um tempo de opções”, vaticina Jerónimo de Sousa.

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