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Manuela Ferreira Leite. Processo de nomeação da procuradora foi uma “fantochada”

“Pior do que ter sido politizada foi ter sido partidarizada”, afirmou a comentadora. Sobre Tancos, disse haver responsabilidades políticas que o primeiro-ministro não quer assumir

O processo de nomeação da nova procuradora-geral da República foi uma "fantochada" porque a escolha "já estava feita", afirmou nesta quinta-feira Manuela Ferreira Leite no habitual espaço de comentário na TVI24. A ex-líder do PSD criticou a circunstância de a nomeação para um lugar institucional, como foi o caso, ter sido discutida na praça pública.

"Pior do que ter sido politizada foi ter sido partidarizada", afirmou Ferreira Leite, remetendo responsabilidades para a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, pelo facto de os partidos políticos terem sido ouvidos sobre uma matéria em que o Governo propõe e o Presidente da República toma a decisão final. "Foi tal o objetivo de partidarização que foi algo inconsequente", acrescentou a antiga ministra das Finanças.

Manuela Ferreira Leite elogiou o comportamento da procuradora-geral cessante, Joana Marques Vidal, que "efetivamente foi discreta", bem como de Marcelo Rebelo de Sousa que "fez um comunicado dizendo que não se tinha pronunciado sobre a matéria".

A respeito das declarações de Cavaco Silva, que qualificou a não recondução de Marques Vidal como a decisão mais estranha da geringonça, Ferreira Leite considerou que não se tratou de um comentário que visasse o atual Presidente da República, mas de uma crítica à partidarização do tema e a um "sistema partidário que permite a desqualificação das instituições públicas".

Tancos "entrou na anedota e não foi anedota nenhuma"

O caso do roubo de armamento em Tancos e do reaparecimento, meses mais tarde, na zona da Chamusca, também mereceu a crítica de Manuela Ferreitra Leite, focada no comportamento do Governo. "O processo foi tão desvalorizado que entrou na anedota e não foi anedota nenhuma", afirmou a ex-líder social democrata, que sublinhou o papel de Marcelo: foi "quem não permitiu que o assunto fosse desvalorizado" e "não deixou o caso cair no esquecimento". Agora, concluiu Ferreira Leite, "verifica-se que [o Presidente da República] tinha razão".

Pior estiveram o primeiro-ministro e o ministro da Defesa. Do ponto de vista da ex-ministra das Finanças, o caso de Tancos inclui responsabilidades políticas que António Costa não quer assumir. "Ninguém está a dizer que o ministro tem de estar à porta dos paióis", afirmou Ferreira Leite, antes de questionar: "Agora, se não tem responsabilidade política, quem tem? Quando o ministro Jorge Coelho se demitiu porque a ponte caíu, tinha de reparar a ponte na véspera?".

Por fim, sobre a polémica dos táxis e das plataformas eletrónicas concorrentes, Manuela Ferreira Leite afirmou que os dirigentes das organizações de taxistas deviam levar "os seus associados a fazerem outras reivindicações e a enveredar por outros caminhos". Para a comentadora, "a concorrência significa que quem se sente ameaçado tem de mudar e não proibir". É uma "batalha perdida", acrescentou Ferreira Leite, embora avaliando o protesto dos taxistas como uma "luta corajosa" que não mereciam que terminasse de "forma inglória".