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Líder do PSD-Lisboa demarca-se das assinaturas contra Rio

Pedro Pinto reafirmou que não tem qualquer envolvimento no processo de recolha de assinaturas, nem concorda com a iniciativa, classificando-a como um desrespeito à vontade expressa pelos militantes do PSD, que elegeram Rui Rio em janeiro

O líder da distrital de Lisboa do PSD, Pedro Pinto, demarcou-se do processo de recolha de assinaturas para a destituição de Rui Rio pelo autarca André Ventura, na reunião desta estrutura que se realizou na quarta-feira à noite. Entretanto, o movimento anunciado pelo autarca social-democrata de Loures no fim de semana passado, denominado Chega, ficou hoje 'online', em www.chega.pt, e inclui um espaço para a recolha das 2.500 assinaturas necessárias à convocação de um Congresso extraordinário do PSD.

De acordo com elementos presentes na reunião da distrital de Lisboa, Pedro Pinto reiterou na quarta-feira perante esta estrutura o que já tinha assegurado ao Expresso: que não tinha qualquer envolvimento no processo de recolha de assinaturas, nem concordava com o mesmo, classificando-o como um desrespeito à vontade expressa pelos militantes do PSD, que elegeram Rui Rio em janeiro.

Na reunião, na qual não houve posições públicas de apoio ao movimento de André Ventura, Pedro Pinto explicou também aos militantes que não subscreveu o documento promovido pela direção de apoio ao líder Rui Rio -- Lisboa foi a única distrital que ficou de fora -- por entender que deveria reunir primeiro este órgão antes de tomar qualquer decisão, o que mereceu também concordância generalizada.

No sábado, o autarca do PSD André Ventura anunciou a criação de um movimento, denominado Chega, que será utilizado para recolher as assinaturas necessárias à convocação de um congresso extraordinário do partido para destituir a liderança de Rui Rio. Hoje, em comunicado enviado à Lusa, André Ventura informou que o movimento já tem um site e um espaço de recolha de assinaturas, tendo na página inicial a mensagem: "Junta-te a nós. Pede um Congresso".

"O Movimento CHEGA pretende reunir subscrições de militantes e simpatizantes do PSD de todo o país, promovendo um Documento Estratégico Global que será entregue em todas as distritais", é referido no comunicado. De acordo com o texto, a destituição de Rui Rio "não é um fim em si mesma", mas "um passo fundamental para recentrar o partido no trilho do seu espaço político natural e para reconquistar os militantes e simpatizantes antes dos importantíssimos atos eleitorais de 2019".

O movimento reafirma querer um "PSD de centro-direita" e rejeitar "um partido híbrido ou uma muleta do PS", apelando à participação de "militantes e simpatizantes" do partido, "de qualquer ponto do território nacional ou da diáspora". O próximo Congresso ordinário do PSD deverá realizar-se em fevereiro de 2020 e para se reunir extraordinariamente terá de ser convocado a pedido de 2.500 militantes.

Uma vez que o presidente do PSD é eleito diretamente pelos militantes, um Congresso extraordinário não tem poderes eletivos, mas poderá ser palco de apresentação de moções de censura ou confiança à Comissão Política Nacional. "A aprovação de uma moção de censura exige o voto favorável da maioria absoluta dos membros presentes da assembleia competente, desde que o número destes seja superior à maioria absoluta dos membros em funções, e implica a demissão da Comissão Política", estabelecem as normas do PSD.