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CDS avança com proposta para comissão de inquérito a Tancos

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Democratas-cristãos exigem respostas, no mesmo dia em que o diretor da Polícia Judiciária Militar foi detido por suspeitas de interferir na investigação ao roubo de armas em Tancos

A detenção do diretor da Polícia Judiciária Militar, juntamente com outros militares da PJM e da GNR, foi a gota de água. O CDS decidiu mesmo avançar com uma proposta para criar uma comissão parlamentar de inquérito sobre o roubo de material militar em Tancos, como vinha sugerindo de há meses para cá.

Os motivos que os democratas-cristãos usam para justificar esta nova comissão são as "omissões e contradições" do Governo em todo o processo, nomeadamente a incapacidade de explicar o que aconteceu em Tancos, de apurar responsabilidades e de garantir que um roubo deste género não volte a acontecer. Nada que colida com a investigação que decorre no Ministério Público, garantiu em conferência de imprensa o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães.

"O que é da justiça é da justiça. O que compete ao Parlamento é apurar responsabilidades políticas", esclareceu o deputado, colocando o ónus na "incapacidade política do Governo" para lidar com o caso. O CDS tem vindo, aliás, a defender que o ministro da Defesa e o chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, "não têm condições para continuar nos cargos", acusação que repetiu esta terça-feira.

Ao longo dos quinze meses que passaram desde a notícia do roubo, em junho passado, o que aconteceu por parte do Governo foi uma "desvalorização" - Azeredo chegou a dizer que, no limite, poderia não ter existido roubo nenhum - e várias "contradições" entre os seus membros, defende o CDS. Para o partido de Assunção Cristas, essa ação do Governo é "inadmissível" e "gera insegurança", sendo imperativo que o Parlamento obtenha mais esclarecimentos sobre o assunto.

Falta ainda garantir que o CDS tem o apoio dos outros partidos para avançar com uma comissão de inquérito. Esta tarde, Nuno Magalhães assegurou que o CDS não falou ainda com os outros partidos, mostrando-se disponível para "acertar o texto" da proposta, que dará entrada nas próximas 48 horas no Parlamento.

Quinze meses, poucas respostas

A iniciativa dos democratas-cristãos surge mais de um ano depois do roubo. Um ano que trouxe poucas respostas. Ainda há semanas, no Parlamento, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, admitia não saber se o material roubado foi totalmente recuperado ou não, depois de uma notícia do Expresso que revelava que ainda há armas "à solta", por recuperar. Meses antes, o governante afirmava mesmo que, "no limite", não era sequer possível garantir que o roubo tivesse acontecido.

Esta terça-feira, a trama adensou-se: o diretor da PJM foi detido por suspeitas de crimes de associação criminosa,denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas. Outros três militares, assim como um quarto suspeito, foram detidos na sequência de investigações relativas ao reaparecimento das armas na Chamusca.

Os militares são suspeitos de ter perturbado a investigação ao caso. Os investigadores acreditam que os elementos da PJM e da GNR de Loulé realizaram uma operação de encobrimento para fazer crer que houve uma denúncia anónima e que as armas tinham sido deixadas pelos assaltantes na Chamusca.