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“O anúncio do ministro da Saúde do recuo do Infarmed é inenarrável”

“Isto é gozar com o pagode”, diz Marques Mendes, que critica o ministro Adalberto Marques Fernandes

Isto é gozar com o pagode. É uma insensatez. A bem da seriedade, o ministro devia ter humildade e a coragem de dizer a verdade. Foi uma decisão precipitada” Marques Mendes referia-se ao anúncio de Adalberto Campos de Fernandes de suspender a transferência da sede do Infarmed para o Porto. A decisão precipitada foi, para Marques Mendes, a de que essa transferência seria feita, o que aconteceu há dez meses.

O ministro da Saúde acabou por ser o governante mais criticado este domingo por Marques Mendes, no seu espaço de comentário no Jornal da Noite da SIC. Foram vários os assuntos em causa, a começar pela decisão de não transferir a sede do Infarmed para o Porto. O político e comentador referiu-se negativamente à forma como Adalberto Campos Fernandes conduziu o assunto: "Foi avanço para aqui. Recuo para acolá! Sempre achei que isto era um disparate. Sou a favor da descentralização e da deslocalização dos serviços, porque é disso que se trata, mas feito com tronco e membros estudados. A forma como o ministro da Saúde anunciou esta semana este recuo é uma coisa que acho inenarrável."

Sem sair do sector da Saúde, Marques Mendes considerou que a machete do semanário Expresso, deste sábado, sobre o facto de os hospitais privados se recusarem a operar os doentes da ADSE, revela o estado atual do sector: "Só mostra que o que se está a passar na área da saúde é uma coisa inacreditável. A ADSE e os hospitais privados devem diálogar. Devem sentarem-se à mesa e negociar".

Logo de imediato, Mendes passou para a situação das crianças com cancro que são tratadas em contentores no Hospital São João, no Porto. A solução para resolver este assunto é avançar com as obras por ajuste directo, defende. "As crianças não justificam o mesmo tratamento que os incêndios [onde houve ajuste directo para compra de aviões de combate aos fogos]?". Marques Mendes disse ainda que o primeiro-ministro deveria chamar os dois ministros, ou seja o das finanças também, que classificou como um burocata: "Para situações excepcionais, soluções excepcionais".

Houve ainda tempo para falar da paralização dos taxis, algo que considerou absurdo, comparando esta situação com aquela que se viveu há 30 anos quando o Governo abriu o mercado televisivo aos privados: "A prazo esta constestação é absurda. A concorrência tem de existir. [Os taxistas] não têm hipóteses de ganhar."