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Martins da Cruz deixa PSD. “Não me revejo em pacóvios suburbanos”

Alberto Frias

Embaixador e antigo ministro de Durão Barroso diz não se rever na “orientação e na prática política de Rui Rio e de muitos membros da direção do PSD. Carta de desfiliação foi enviada esta sexta-feira

António Martins da Cruz, embaixador e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Durão Barroso, vai deixar o PSD, em protesto contra Rui Rio e a atual direção do PSD. “Não me revejo em pacóvios suburbanos”, diz.

A decisão foi formalmente comunicada esta sexta-feira, numa carta que fez chegar à direção do PSD e a que o Expresso teve acesso. Nela, Martins da Cruz é taxativo: “Não me revendo na orientação e prática política da atual liderança, e da maioria das figuras à sua volta, renuncio por este meio e a partir de hoje à condição de militante”, escreve o antigo assessor diplomático de Cavaco Silva.

Em declarações ao Expresso, o ex-governante reafirma tudo o que escreveu. “Não estou para ser cúmplice da atual liderança com meu silêncio ou com a minha passividade. Saio por uma questão de honestidade intelectual”, nota.

Desafiado a concretizar que práticas estão na origem da sua decisão, Martins da Cruz responde "todas". "Não me revejo na orientação que Rui Rio deu ao partido, nas práticas, no tom, no que diz às televisões, nas pessoas que cirandam à volta dele. Não me revejo em nada e não me revejo em pacóvios suburbanos", critica.

Sobre o seu futuro político, António Martins da Cruz garante que não existe, para já, qualquer plano para vir a integrar outra formação política, como a Aliança de Pedro Santana Lopes, por exemplo. "Saio sem segundas intenções", remata.