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PSD/Lisboa não assina manifesto de apoio a Rui Rio

Uma imagem de arquivo de Pedro Pinto durante as celebrações do 25 de abril na Assembleia da República, em 2012

Alberto Frias

Pedro Pinto, líder da distrital do PSD/Lisboa, garante não ter recebido qualquer documento da direção para se juntar à manifestação de apoio a Rui Rio. E recusa participar na reunião das distritais: “Só vou às reuniões para que sou convidado”, diz

Vítor Matos

Vítor Matos

Editor de política

A distrital do PSD/Lisboa não vai assinar o manifesto de apoio a Rui Rio. Pedro Pinto, líder desta estrutura, garante não ter recebido qualquer texto da direção e diz não ter sido sequer convidado para participar na reunião que vai juntar os vários líderes distritais esta sexta-feira, em Santarém.

“Não recebi o texto, logo não o posso assinar. Mesmo que tivessem enviado, não teria assinado antes de reunir a minha comissão política. É uma coisa básica ao nível das instituições”, sublinha Pedro Pinto, antigo líder da JSD, muito próximo de Pedro Passos Coelho e apoiante de Pedro Santana Lopes nas últimas diretas do PSD.

Na noite de quarta-feira, Salvador Malheiro, vice-presidente do PSD, enviou uma carta aos presidentes das várias distritais do partido em que exigia um “apoio inequívoco” ao líder e pedia que se parasse “com as constantes tentativas de deturpação das suas mensagens políticas”, promovidas por quem “não quer que o PSD vença as eleições legislativas”

A carta não deixou ninguém indiferente. Houve quem interpretasse o gesto do vice-presidente do PSD como um apelo genuíno à união em torno do líder e quem visse neste apelo mais uma forma de perseguir os críticos de Rui Rio. O raciocínio é simples: ao convidar todos os líderes distritais a jurarem lealdade ao líder, Salvador Malheiro mais não está a fazer do que a tentar descobrir onde mora a resistência interna ao presidente. É uma forma de pressão, como é evidente. Quem não assinar, vai ser perseguido como suposto adversário de Rio”, como notava ao Expresso Diário um influente dirigente social-democrata, sob anonimato.

Com maior ou menor resistência, o documento deverá por ser assinado por todos os líderes distritais à exceção de Pedro Pinto. Segundo o líder do PSD/Lisboa, a carta não chegou sequer àquela estrutura, uma das maiores e mais influentes do partido. De acordo com o deputado, não houve sequer um convite formal para comparecer na reunião de sexta-feira. Por isso, é taxativo: “Não vou à reunião. Só vou às reuniões para que sou convidado” garante.

Mesmo recusando comentar o conteúdo do comunicado (“ainda não li o texto, só sei o que li na comunicação social”, diz Pedro Pinto), o líder do PSD/Lisboa questiona a estratégia de comunicação da atual direção. “Acho que está a começar a haver comunicados a mais. É a minha maneira de ver. Não faria tantos comunicados”, critica.

O Expresso contactou Salvador Malheiro, autor da iniciativa, mas não obteve qualquer resposta até à publicação deste artigo.

Pedro Pinto nega conspiração para derrubar Rio

De qualquer forma, se se confirmar que foi um gesto deliberado da direção do PSD, o caso ganha outra dimensão: nos corredores do PSD, corre a tese de que é em Lisboa que está a nascer o movimento organizado para derrubar Rui Rio, alegadamente promovido por figuras como Ângelo Pereira, vice-presidente da distrital e um dos autarcas que o presidente social-democrata quer agora processar por despesas não autorizadas nas últimas autárquicas.

Tal como Ângelo Pereira, Pedro Pinto garante não ter qualquer ligação a esse suposto movimento. Publicamente, apenas André Ventura, candidato do PSD à Câmara de Loures, admitiu estar disposto a avançar para a recolha de assinaturas para convocar um congresso extraordinário que derrubasse o líder. “Tanto quanto sei, é uma ideia de André Ventura. Não ouvi mais ninguém a falar disso”, garante Pedro Pinto, recusando, mais uma vez, qualquer associação à iniciativa de André Ventura.

O líder do PSD/Lisboa recorda, a propósito, que “há outra maneiras de convocar um congresso”, seja através de uma maioria favorável num Conselho Nacional ou através de um acordo alargado das várias distritais. No entanto, Pedro Pinto desvaloriza uma possível queda de Rio antes das eleições. “Era partir do princípio que havia no partido um conjunto alargado de pessoas que quer derrubar o líder. Que eu saiba, não há”, descarta.