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Aliança nasce com o dedo apontado a Marcelo: “Deve usar a popularidade para exigir as grandes reformas”

TIAGO MIRANDA

Um partido “low cost” mas “hight profile”. Pedro Santana Lopes lançou hoje a Aliança disposto a “criar bom ambiente” mas sem falas mansas. Diz que vê “muita conversa” mas pouca ação e vai “ser exigente com todos os orgãos de soberania, incluindo o Senhor Presidente da República”. O seu objetivo eleitoral são “dois dígitos”

Santana Lopes deu o pontapé de saída para a Aliança - o novo partido que formalizou nesta quarta-feira no Tribunal Constitucional, em Lisboa, através da entrega de mais de 12 mil assinaturas - com um sério aviso à classe política: contem com ele para "ser exigente com o Governo, mas com todos os orgãos de soberania em geral, incluindo o Senhor Presidente da República, que pode e deve usar a popularidade que tão bem conseguiu para ajudar a sociedade portuguesa a fazer as grandes reformas que há muito são necessárias".

O recado não ficou por aqui. "Vejo no dia a dia muita conversa mas é preciso criar condições para resolver os problemas concretos das pessoas", afirmou, apostado em "criar bom ambiente" mas sem falas mansas: "A Aliança nasce, não para ser ortodoxa nem para receber elogios dos arautos do sistema. Mas para fazer o que acredita que tem que ser feito de acordo com as suas convicções".

E quais são as convicções do ex-líder do PSD, agora líder do novo partido que se propõe "ajudar a engrossar o bloco de centro direita"? Que não basta falar de reformas do sistema eleitoral e da Justiça. "É preciso resolver os problemas das pessoas e as chagas sociais" que persistem no país, se necessário pondo um travão às cativações orçamentais do Estado "que hoje atingem dimensões dificilmente compreensíveis".

“Hoje é um dia feliz”

À porta do Tribunal Constitucional, onde chegou depois de descer a Rua do Século a pé e bem disposto - "hoje é um dia muito feliz" - Santana foi desfiando exemplos das chagas sociais que persistem na legislatura das esquerdas. "Quatro presos numa cela com uma única retrete? Pais que só recebem 65% de remuneração quando acompanham filhos em tratamentos oncológicos? Eu cheguei a elogiar o ministro Centeno mas estamos a ultrapassar limites, se há cativações também tem que haver capacidade para descativar quando é preciso", afirmou.

O caso da ala pediátrica do Hospital de S. João no Porto, "que até levou a uma intervenção do Senhor Presidente da República, ainda não está resolvido". Santana Lopes propõe-se agitar as águas: "A Aliança quer ajudar a resolver estes problemas". E o currículo de ex-Provedor da Santa Casa da Misericórdia dá jeito: "Para resolver os problemas é preciso conhecê-los". A ação social veio para ficar no léxico do novo partido.

A Aliança conta ir buscar votos antes de mais à abstenção, chamando para votar os que andam afastados da política. "Será um enorme orgulho trazer as pessoas a interessarem-se pela política", afirmou Santana Lopes, que nem por isso descura os militantes do seu velho PSD que possam estar disponíveis para mudar de águas e alinhar com ele. Atrás do líder do novo partido e frente às câmaras das televisões alinharam-se, aliás, um ex-presidente de câmara do PSD - o histórico Carlos Pinto, da Covilhã - e uma ex-governante do tempo de Durão Barroso - Rosário Águas, ex-secretária de Estado da Habitação.

Tirar gente da abstenção e atrair jovens

Santana diz que "mais do que tirar votos ao BE, ao PSD, ao PS ou ao CDS, o que motiva a Aliança é tirar gente da abstenção". E conta com os jovens - "a forte adesão à Aliança é sobretudo da juventude". É, aliás, a pensar no futuro e nas novas gerações que Pedro Santana Lopes desafia Governo, partidos e Presidente a encararem de vez as reformas eternamente adiadas. "O Estado não tem dinheiro para tudo. Não vale a pena virem dizer que queremos acabar com o SNS ou com a Segurança Social pública. Eu quero manter o SNS e a Segurança Social pública mas defendo a liberdade de escolha e sou contra o gratuito para todos", afirmou.

Chama-se a isto, segundo o líder da Aliança, "lutar para melhorar muitos aspetos do Estado de Direito". E Santana acredita que, com três partidos em vez de apenas dois no centro direita, "é mais fácil criar condições para que este espaço consiga mais votos" e faça vingar os seus pontos de vista junto do eleitorado.

À porta do Palácio Ratton, sede do TC, apareceram sobretudo velhos amigos e colaboradores de Santana Lopes. O próprio falou de "um dia muito especial. Um dia para viver a liberdade". A Aliança vai ter sede em Lisboa e no Porto, sendo a de Lisboa precisamente no prédio e no andar onde esteve sediada a recente candidatura de Santana à liderança do PSD. Para quem acredita em sinais...