Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Montenegro, Silvano, Menezes e Mendes: a tertúlia que abortou no PSD

Luís Montenegro

José carlos carvalho

"O partido está epidérmico", explica Virgílio Costa, o histórico do PSD/Braga, ex-apoiante de Santana, que organizou uma tertúlia para "normalizar" o partido. Juntou no programa apoiantes e críticos de Rio. Os primeiros desistiram. E os segundos, sendo assim, também não vão. A tertúlia abortou. Menezes não fala. Para já.

Aparentemente, era um debate para juntar na próxima sexta-feira, em Famalicão, apoiantes e críticos de Rui Rio a discutir temas intemporais.

Numa primeira fase, todos aceitaram. No programa disponível na página Tertúlia de Braga no Facebook, constam nomes dos dois lados. Três apoiantes de Rio: o secretário-geral do PSD, José Silvano, o eurodeputado José Manuel Fernandes e o presidente da câmara de Famalicão, Paulo Cunha. E dois críticos do atual líder: Luís Montenegro, seu adversário assumido, e Luís Marques Mendes, o comentador que todos os domingos o critica na SIC.

Um dos erros que Mendes mais aponta ao líder social-democrata é não saber incluir os críticos. A verdade é que, quando souberam que iam coabitar na tertúlia com Luís Montenegro e Luís Marques Mendes, os apoiantes de Rui Rio desistiram.

"José Silvano alegou razões pessoais. E quando souberam que o secretário-geral não ia, José Manuel Fernandes e Paulo Cunha disseram que não se sentiam confortáveis e também não iriam", explicou ao Expresso Virgílio Costa, o organizador do evento, que diz só ter um objetivo: "Ajudar o partido a normalizar-se".

A ideia deste histórico do PSD/Braga, que presidiu durante três mandatos à distrital e que sempre apoiou Santana Lopes, era sair das discussões internas. "Face ao momento que o PSD atravessa, entendi que devíamos pôr o partido a discutir o que é importante e a sair da trica", explicou ao Expresso. Mas o facto de Virgílio ter garantido aos convidados que "não queria críticas a ninguém, e que tinha como pressuposto um total respeito ao líder e à hierarquia", não convenceu.

A desistência do secretário-geral do partido, braço direito de Rio, foi o começo do fim. Mas a gota de água foi Luís Filipe Menezes, o ex-autarca de Gaia e ex-líder do PSD, que também foi convidado para estar presente e que, depois de hesitar, acabou por aceitar.

Apanhado de surpresa com a presença de Menezes - com quem disputou e para quem perdeu a liderança do PSD - e com as desistências dos apoiantes de Rui Rio, Luís Marques Mendes informou Virgílio Costa de que já não iria. E este optou por adiar o evento.

Ao Expresso, Marques Mendes explicou-se: "Estou sempre disponível para participar em ações de debate político organizadas por estruturas do PSD, ainda a semana passada estive em Vila Franca de Xira, mas já não estou disponível para participar em iniciativas que possam ser confundidas com guerras ou guerrilhas dentro do partido".

Por seu lado, Virgílio Costa, lamenta que, "se calhar, a direção do partido tenha entendido mal este espaço de debate, porque já se instalou a ideia de que é tudo maldade". Depois de reconhecer que a sua "intenção foi adulterada", Virgílio adiou a tertúlia, à espera de "uma melhor oportunidade".

Quanto a Luís Filipe Menezes, garantiu ao Expresso que a disponibilidade para estar presente na tertúlia de Famalicão não significa que queira regressar à política. Alguns dos mais ferozes críticos de Rui Rio gostariam de o ver voltar às lides, quanto mais não seja para lembrar o apoio que o atual líder do PSD e ex-presidente da câmara do Porto deu a Rui Moreira nas autárquicas que tiveram Menezes como candidato do PSD. Mas Luís Filipe Menezes, para já, não fala.

"Nunca mais aceitarei cargos políticos, política nunca mais", afirmou ao Expresso. Quanto a dizer o que pensa, nada de novo. "Para já".