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Costa elogia “transparência” de Luanda sobre dívidas e apela ao investimento angolano em Portugal

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Em Luanda, o primeiro-ministro mostra-se satisfeito com o calendário definido para o apuramento do volume global das dívidas a empresas portuguesas e diz que “o investimento angolano é bem-vindo” a Portugal

O primeiro-ministro elogiou esta terça-feira a "transparência" do Governo angolano na forma como aborda a questão das dívidas a empresas portuguesas e o calendário definido, até novembro, para o apuramento do volume global por regularizar.

Palavras proferidas por António Costa no Fórum Económico Angola Portugal, depois de o ministro das Finanças de Angola, Archer Mangueira, ter estimado em cerca de 90 milhões de empresas o volume dos "atrasados" a empresas portuguesas já assumido por parte das autoridades de Luanda.

Ainda de acordo com o mesmo membro do Governo, haverá ainda cerca de 300 milhões de euros de dívida a empresas portuguesas por certificar, mas que não foram contraídos em respeito pelas normas orçamentais.

Dirigindo-se especificamente aos empresários portugueses, António Costa considerou que esta posição do ministro angolano das Finanças, bem como os recentes progressos ao nível legislativo em Angola (leis da concorrência e do investimento privado) "estão a criar um bom ambiente de negócios" e representam "um sinal de confiança".

"Vemos como auspicioso o trabalho desenvolvido ao longo destes meses no novo ciclo político de Angola", disse, numa alusão ao novo período que se iniciou com a Presidência angolana de João Lourenço.

Depois, António Costa referiu-se diretamente às palavras que tinha acabado de ouvir na intervenção do ministro das Finanças de Angola sobre a questão das dívidas a empresas nacionais.

"Temos vindo a trabalhar ao longo do último ano com as autoridades angolanas, tendo em vista resolver problemas de anos anteriores. Quero aqui sublinhar perante muitas das empresas portuguesas, ou luso-angolanas, que apreciei especialmente a forma aberta, franca e transparente como o senhor ministro das Finanças de Angola aqui se referiu ao trabalho que está a ser feito", observou o primeiro-ministro.

António Costa congratulou-se sobretudo pelo facto de o ministro das Finanças Angolano, no que toca ao problema das dívidas a empresas portuguesas, ter abordado "o problema das condicionantes que há para concretizar".

"Mas também o compromisso muito claro do calendário que está estabelecido no sentido de que, até novembro, o processo de certificação [de pagamentos por regularizar] esteja concluído", apontou o líder do executivo português.

Já em relação aos angolanos que escutavam o seu discurso, o primeiro-ministro fez ainda questão de frisar que "o investimento angolano é bem-vindo" a Portugal.

"Esta minha visita e a do Presidente da República de Angola, João Lourenço, a Portugal serão marcos importantes para a estabilização das relações luso-angolanas e para a consolidação da cooperação estratégica entre os nossos povos", acrescentou.