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Vasco Cordeiro criticado à direita e à esquerda por fazer “poucochinho”

Vasco Cordeiro, durante o discurso de encerramento

António Araújo / Lusa

No encerramento do XVII congresso do PS/Açores, na Praia da Vitória, o presidente do Governo Regional anunciou a criação de apoios ao empreendedorismo jovem para recém-licenciados e formação para desempregados em sectores estratégicos para a região. PSD, CDS e PCP avisam que medidas apresentadas pecam por curtas e tardias após 22 anos de governação rosa

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com Lusa

O presidente do Governo dos Açores e líder do PS local, Vasco Cordeiro, anunciou este domingo um “primeiro impulso” para um processo de descentralização de competências na região, “em benefício dos açorianos e das açorianas”, através do reforço da colaboração e “a criação de sinergias com autarquias e juntas". As declarações de Cordeiro foram feitas na sessão de encerramento do XVII Congresso do PS/Açores, que termina este domingo na Praia da Vitória, na ilha Terceira.

Na sessão de encerramento, Vasco Cordeiro indicou a manutenção da rede viária regional, "incluindo caminhos agrícolas", a "gestão e operacionalização" de medidas de ação social e escolar e matérias referentes ao ambiente como áreas possíveis de ser incorporadas num processo de "descentralização de competências" do Governo Regional para os municípios e freguesias.

O líder do PS/Açores anunciou ainda a criação de medidas para ajudar os jovens a encontrar emprego, os pais que querem conciliar o trabalho com a vida familiar e os idosos que necessitam de cuidados ao domicílio. “O Partido Socialista dos Açores está pronto e responde ‘presente’ ainda mais motivado, ainda mais empenhado, ainda mais determinado em, pelos Açores e com os açorianos, vencer os desafios que estão pela nossa frente”, adiantou.

Entre as medidas prometidas pelo líder do Governo Regional dos Açores desde 2012 está também a criação de um programa de apoio aos jovens universitários, para ajudá-los a criar a sua própria empresa, fomentando o empreendedorismo. Aos jovens até aos 29 anos, com a escolaridade obrigatória e desempregados há mais de três meses, será dada, segundo o líder regional socialista, “oportunidade de ter uma formação em contexto de trabalho nos setores estratégicos para a região", sendo o objetivo final a sua "integração profissional nestes setores”.

PSD, CDS e PCP pedem ao PS 'mea culpa' e mudança

O deputado do PSD à Assembleia da República António Ventura considerou, contudo, que a intervenção do líder do PS/Açores trouxe "poucochinho" para a resolução dos problemas dos açorianos. “O PS não chegou hoje de para-quedas aos Açores, está a governar há 22 anos. O que era preciso fazer era um 'mea culpa' pela não resolução dos problemas dos açorianos e depois então avançar com novas medidas", começou por declarar o social-democrata, falando aos jornalistas sobre a intervenção de Vasco Cordeiro.

Para António Ventura, as medidas apresentadas "são mesmo muito poucochinho para aquilo que são os verdadeiros problemas dos açorianos” e de quem vive nas ilhas, destacando lacunas na área da Saúde ou Educação.

O dirigente do CDS/Açores Alonso Miguel também advertiu que os açorianos "não devem esperar muito" do PS da região, partido que está "cansado" e "sem ideias" e contra o qual os centristas trabalham "todos os dias". "É urgente uma mudança política, uma alternativa ao PS nos Açores. É urgente uma governação não-socialista e é para isso que o CDS trabalha todos os dias", declarou Alonso Miguel.

"Será mais do mesmo. É o mesmo PS, cansado, com os mesmos intervenientes, os mesmos protagonistas, sem ideias para corrigir os falhanços sucessivos na maioria de áreas de intervenção", sublinhou o deputado ao Parlamento dos Açores.

Também o dirigente do PCP/Açores António Fonseca considerou que o PS está “sem ideias” e que os Açores necessitam de um “novo rumo”, em reação ao discurso de Vasco Cordeiro. “De facto somos levados a pensar que são precisas novas políticas e um novo rumo para os Açores e esse novo rumo não será feito com maiorias absolutas do Partido Socialista, terá de ser feito de outra forma”, adiantou, em declarações aos jornalistas.

“Relativamente às principais questões que os açorianos atravessam, não foi apresentada uma medida, nomeadamente relativamente aos transportes, ao desemprego, ao problema da falta de produção e de incentivos ao desenvolvimento do sector produtivo”, criticou.