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PSD acusa membros da direção de “pequeninos objetivos de guerrilha partidária”

José Silvano, secretário-geral do PSD, fez um comunicado a manifestar “desgosto” por ter havido uma fuga de informação para o Expresso sobre críticas ao líder na última Comissão Política. A direção está “globalmente coesa”, escreve

Vítor Matos

Vítor Matos

Editor de política

Rui Rio não gostou da fuga de informação desta semana que originou a notícia do Expresso de que as críticas ao líder já tinham chegado à direção do partido por causa da colagem ao Bloco de Esquerda na "taxa Robles". Num comunicado publicado ao início da noite de sábado (que pode ler aqui na íntegra), o secretário-geral, José Silvano, admite que há na direção quem esteja a fazer "guerrilha" ao líder. A Comissão Política Nacional está indignada "pelo desgosto de verificar que a notícia que originou toda esta desinformação, tenha tido, necessariamente, a colaboração direta de alguém que, tendo estado presente, não se coibiu de usar um jornalista para a prossecução de pequeninos objetivos de guerrilha partidária", lê-se no texto.

José Silvano escreve que, depois da notícia de quinta-feira à noite, se verificou uma "indignação" por parte da quase "totalidade dos membros da Comissão Política", que lhe transmitiram "por escrito, o mais vivo repúdio", pela "falsa ideia de divisão que estão a tentar criar na opinião pública".

O comunicado surge quase 48 horas depois do artigo do Expresso, sem desmentir o conteúdo das declarações reproduzidas pelo jornal: na reunião, houve críticas de vice presidentes relevantes como Nuno Morais Sarmento ou Castro Almeida, que falaram, respetivamente, de "tiro no pé" e de "descaraterização ideológica" por Rui Rio ter dito que a proposta do BE para penalizar a alta rotação do imobiliário "não é assim tão disparatada". Só Elina Fraga e Salvador Malheiro saíram em defesa de Rio, e, de forma mais acentuada ou mitigada, todos os outros apontaram reparos ao presidente do partido.

A direção do PSD justificou a necessidade de fazer um comunicado sobre o assunto devido à proliferação de notícias nos outros órgãos de comunicação social, "a propósito de uma alegada divisão no interior da própria direção do PSD". De acordo com o texto, a direção do partido "está globalmente coesa, compreendeu exatamente a ideia transmitida pelo seu presidente no que concerne à necessidade de combater a especulação imobiliária e concorda com esse objetivo político – que, em nome do interesse público, não pode deixar de o ser, apenas porque um outro partido também o entende como necessário."

Segundo o texto assinado por José Silvano, foi a direção que "propôs ao Presidente a transformação da sua ideia em proposta concreta, a apresentar em sede de debate do Orçamento de Estado para 2019".

O próprio Rui Rio já tinha reagido no sábado à tarde, numa conferência de imprensa com Pablo Casado, o novo líder do PP espanhol. O presidente do PSD rejeitou a existência de divisões e criticou o "ruído" vindo dos "corredores da política". Perante as questões dos jornalistas não foi tão longe quanto iria no comunicado horas depois: "Se os pressupostos da pergunta fossem verdadeiros, eu teria de estar não preocupado, mas, antes, muito preocupado". E acrescentou: "Mas como os pressupostos da pergunta não são verdadeiros, eu não estou preocupado com isso".

E voltou a insistir na estratégia de ser um líder diferente dos outros, e que as pessoas o percebem melhor do que os que andam a fazer política de forma tradicional: "Acho que, tirando este ruído dos corredores da política, o povo português percebe isto como ninguém. Temos de estar disponíveis para colaborar em nome do interesse nacional e não se adotar o princípio de à partida estar-se contra tudo e contra todos".