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Marques Mendes: “Rio devia deixar-se de graçolas de café e ser menos arrogante e convencido”

O comentador político aconselha o líder do PSD a ser mais humilde e deixar-se de graçolas, como o “estou cheiinho de medo”. No habitual comentário de domingo no “Jornal da Noite”, Luís Marques Mendes disse ainda que Rui Rio acobertou o branqueamento dos disparates de agosto do BE ao colar-se à manobra da taxa Robles

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Luís Marques Marques considera que quer o BE como o PSD deram um tiro nos pés na questão da taxa Robles e que esta foi uma grande semana do ponto de vista político para o Partido Socialista. “O PS deu um grande passo rumo à maioria absoluta”, frisou no seu habitual espaço de comentário político no “Jornal da Noite” da SIC, defendendo que a classe média assusta-se com mais impostos.

Mendes antecipa, por isso, que nas legislativas do próximo ano os portugueses vão optar pelo voto útil para evitar ter o BE no Governo. “O que o Bloco está a fazer com a taxa Robles é a ensaiar uma manobra de diversão para desviar as atenções do que se passou no verão”, acrescentando ser “mais um disparate do PSD” e uma precipitação de Rui Rio ter “acobertado a manobra do BE”.

O ex-líder do PSD afirma que Rio tem razão ao reconhecer que há um problema na habitação, mas que a falta de casas no mercado não se resolve “nem com mais nem com menos impostos”, mas criando incentivos. “Rio devia ouvir os especialistas e falar no devido tempo, em vez de entrar na demagogia e populismo”, referiu o comentador, sublinhando que no Conselho Nacional não foram só os “seus críticos tradicionais” a criticar o líder do partido, mas membros da sua própria direção.

Apesar dos 14 pontos que separam o PSD do PS nas sondagens, Marques Mendes salienta que é um disparate do tamanho da Torre dos Clérigos mudar a liderança do partido a um ano das legislativas. “Os mandatos devem ser levados até ao fim. A intenção de um congresso extraordinário para derrubar Rui Rio a um ano de duas eleições só acrescenta ruído e divisão”, defende, advertindo que o PSD precisa de tréguas e não de mais incendiários. Aos críticos, apelou a “um pouco mais de juízo”, mas a Rio deixou um recado claro: “O líder também tem de dar o seu contributo, sendo mais humilde, menos convencido e arrogante”, além de se deixar de graçolas de café – numa referência à tirada “estou cheiinho de medo” atirada pelo presidente do PSD aos seus críticos internos antes do Conselho Nacional.