Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Timor. Ana Gomes também vai escrever livro e espera ter acesso a telegramas classificados

António Pedro Ferreira

Na sequência de acusações de Júlio Pereira Gomes, num artigo este sábado publicado no Expresso, a eurodeputada socialista assegura que vai continuar a dormir descansada e deixa um recado a Pereira Gomes: "Se me quiser processar, faça o favor"

A eurodeputada Ana Gomes espera ter acesso, tal como o José Júlio Pereira Gomes, aos telegramas classificados do Ministério dos Negócios Estrangeiros para rebater as acusações que o embaixador lhe faz no livro “Regresso a Timor” e que o Expresso antecipa na edição deste sábado.

"Regozijo-me em ver que o senhor embaixador teve direito a documentação que está sob reserva. E ainda bem. Há um ano, quando a polémica rebentou, o Ministério dos Negócios Estrangeiros estava com dificuldade em divulgar os documentos pedidos pela Assembleia da República, porque não estavam organizados e não os encontrava. Também eu vou escrever um livro e espero ter acesso a toda a telegrafia de Jakarta", diz Ana Gomes ao Expresso.

Em causa está o papel desempenhado por Pereira Gomes em Timor-Leste na altura do referendo pela autonomia organizado pela ONU a 30 de agosto de 1999. Ana Gomes era nessa altura responsável pela Secção de Interesses de Portugal em Jacarta, e há 15 meses quando Pereira Gomes foi indicado para secretário-geral do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP), a eurodeputada acusou o antigo colega de não ter “perfil psicológico” para o cargo devido ao comportamento assumido em Timor.

Num artigo publicado no "Diário de Notícias", Ana Gomes considerou que o embaixador não era capaz de aguentar situações de grande pressão e que isso podia ser um problema para os serviços de informações. O testemunho da antiga embaixadora foi confirmado por alguns dos jornalistas que se mantiveram em Timor e apontaram falhas graves a Pereira Gomes, entre elas a de alegadamente ter escondido de Lisboa informação relevante sobre planos de incentivo à violência por parte da Indonésia, e o facto de ter saído de Timor antes de tempo.

Pereira Gomes vem agora acusar Ana Gomes de “perseguição patológica” e de ser a principal responsável por uma campanha difamatória e que o levou a considerar-se “indisponível” para o cargo antes de ser chamado pelo Parlamento.

Para a eurodeputada socialista, as acusações do antigo colega são imprecisas. "É uma contradição dizer que eu o persegui, quando admite que teve uma carreira normal. E quando me acusa de só ter falado 18 anos depois, é sinal de que não houve preseguição", diz Ana Gomes.

Sobre a acusação de “inventado heroísmo" na carreira de Ana Gomes, a ex-embaixadora recorda que a sua carreira diplomática acabou, precisamente, depois de Jakarta. "Foi o meu último posto. Decidi suspendê-la para me dedicar à política. Tudo o que consegui na minha carreira diplomática foi feito com base nas minhas capacidades", frisa.

Ana Gomes assegura que vai continuar a dormir descansada e deixa um recado a Pereira Gomes. "Se me queiser processar, faça o favor. Terei toda a capacidade de ir a tribunal e chamar à colação o que está registado no MNE. E de chamar as testemunhas que comprovam aquilo que disse. Apenas falei - e falo, já que mantenho tudo o que disse - do que me relataram."