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“Taxa Robles” leva CDS a demarcar-se do PSD. “Governo não precisa de uma alternativa que seja redundante”

Alberto Frias

Centristas convocaram conferência de imprensa para atacar Rui Rio, que anunciou na quinta-feira querer taxar a especulação imobiliária. Quiseram “mostrar oposição”

Longe vão os tempos em que PSD e CDS combinavam iniciativas e estratégias no Parlamento. Esta quinta-feira, os centristas deram mais um passo na estratégia cada vez mais autónoma que têm vindo a seguir e convocaram uma conferência de imprensa no Parlamento para criticar a intenção de Rui Rio de imitar a 'Taxa Robles' e apresentar uma proposta no mesmo sentido.

O distanciamento do CDS em relação à ideia de Rio não poderia ser mais claro - e o discurso de João Almeida, porta-voz do CDS, não se limitou a criticar esta iniciativa em concreto, fazendo ataques que se aplicam à liderança de Rio. "O que o Governo precisa é de alternativa diferente e não de uma alternativa que seja redundante”, defendeu João Almeida.

Depois de o Bloco de Esquerda ter apresentado uma medida para taxar a especulação imobiliária, que o CDS se apressou a batizar como 'Taxa Robles' em referência ao vereador bloquista que se demitiu em julho, Rui Rio veio defender que a mesma não era "uma coisa assim tão disparatada". Isto apesar de até o Governo e o PS se terem demarcado publicamente da proposta bloquista. Já na noite desta quarta-feira, à margem do Conselho Nacional, Rio confirmou que pensa avançar com uma iniciativa não no sentido de criar uma nova taxa mas de agravar a que já existe para mais-valias no IRS, tornando-a mais pesada para quem vende um imóvel pouco depois de o comprar.

Ora o CDS discorda da "taxa Robles versão Rio", considerando que o líder do PSD está a acompanhar o BE numa "caça ao contribuinte", pelo que uma proposta social-democrata neste sentido merecerá o voto contra do CDS. Mais: os centristas sublinham que têm alternativa, uma vez que este ano avançaram com uma proposta para reduzir os impostos sobre os rendimentos prediais para arrendamentos de longa duração, de forma a estimular a estabilização do mercado. E, por isso, aproveitam a deixa para se afastar de Rio e fazer caminho próprio.