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Política

PSD quer entregar mais serviços de Saúde a privados. “Estamos a quebrar um tabu”

CARLOS BARROSO/LUSA

Sociais-democratas defendem que Saúde deve ser gerida em três eixos: setor público, privado e solidário. Para já não há limites para o número de hospitais ou serviços a contratualizar, mas Estado deve ter papel "maioritário". "Não é um tabu ideológico que vai travar o que a população quer"

O objetivo é tornar a gestão na Saúde mais eficiente e reduzir as listas de espera. O caminho, admite o PSD, pode ser polémico: a proposta social-democrata para a Saúde, apresentada esta quinta-feira em conferência de imprensa, é contratualizar hospitais e serviços com privados e setor solidário, alargando "progressivamente" a lógica das Parcerias Público-Privadas e assumindo essa aposta em contratos privados como "uma estratégia" perante a população.

Questionado repetidamente sobre os "limites" para o número de hospitais e serviços cuja gestão será entregue aos privados, Luís Filipe Pereira, responsável pela área da Saúde no PSD, não quantificou ou estabeleceu objetivos. Mas garantiu que a intenção é manter um papel "maioritário e central" do Estado na gestão da Saúde, e não acabar com o SNS, mas antes "salvá-lo". "Podem chamar a isto privatização, mas é incorreto", atirou.

"Não estamos a dar mais dinheiro aos privados, porque os custos serão os que o Estado já tem", declarou o ex-ministro da Saúde e economista, que usou números dos hospitais de Braga ou Cascais, onde há PPP, para mostrar que a aposta trará mais "eficiência" aos serviços e que, na prática, a mudança será "indiferente" para a população.

Ciente de que a proposta poderá gerar polémica, o social-democrata repetiu por diversas vezes que o PSD quer assim "quebrar um tabu ideológico" e olhar para a reforma do SNS de forma "direta e clara". "Não é um tabu ideológico que vai travar o que a população quer, ou do que necessita", sublinhou. E pareceu querer colocar o PSD numa posição centrista, garantindo que este é um "caminho social-democrata": "Não é totalmente público como a esquerda quer e não é totalmente liberalizado como a direita quer. Queremos o meio termo, o bom senso".

Na verdade, as últimas notícias dão conta de que a proposta foi controversa até no seio do PSD, embora tanto Luís Filipe Pereira como o vice do partido David Justino tenham aproveitado nesta conferência de imprensa para desmentir que tenha havido "violentas discussões" sobre o assunto e esclarecer que a versão inicial que já tinha sido discutida no partido em julho foi pouco alterada até aqui. "Num partido democrático há opiniões diferentes. Houve um debate natural, porque é uma reforma de fundo", desvalorizou o responsável do PSD.

No final da conferência de imprensa, David Justino adiantou ainda que a próxima área para a qual o PSD anunciará propostas - está a fazê-lo à medida de uma por mês - será a do acesso ao ensino superior.