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Manuela Ferreira Leite sobre o combate à especulação imobiliária: “Rio tem razão, não é por ter sido o Bloco que não é tema”

No habitual espaço de comentário na TVI 24, a ex-líder do PSD defendeu que todos os partidos se deviam juntar à causa e combater a especulação imobiliária. Para a antiga ministra das Finanças, o que está em causa “não é o caso Robles, mas se o Governo deve ou não tomar medidas”

Manuela Ferreira Leite defende que “todos os partidos se deveriam juntar para combater a especulação imobiliária”. A posição foi esta quinta-feira explicada no habitual espaço de comentário semanal na TVI 24. E por todos os partidos, entenda-se também o PSD.

Depois de o PS ter recusado a taxa especial proposta pelo Bloco de Esquerda com o objetivo de penalizar negócios de curto prazo no setor imobiliário, Rui Rio disse sobre a ideia dos bloquistas: “não é assim uma coisa tão disparatada”. A consideração caiu mal entre os sociais-democratas e, desde então, têm chovido críticas sobre o líder do partido. Ferreira Leite, que liderou o PSD entre 2008 e 2010, defendeu o atual presidente do partido

A antiga ministra das Finanças afirmou que, independentemente de quem faz a proposta, "neste caso foi o Bloco", se "apresenta uma medida para combater a especulação imobiliária, acho bem”. Ferreira Leite recusou que em causa esteja “o caso Robles”, mas sim se o “Governo deve ou não tomar medidas”. “Acho que Rui Rio tem razão. Não é pelo facto de ter sido o Bloco a propor que não é tema”, continuou.

No entanto, antiga ministra das Finanças sublinhou que não espera que a proposta do PSD para o combate à especulação imobiliária seja igual à do do Bloco, que considerou ser “para toda a especulação”. “São duas posições que não têm nada que ver. É evidente que não foi isso que Rui Rio sugeriu quando falou em apresentar uma proposta sobre este tema.

Ferreira Leite, que garante ficar à espera que a proposta surja e que seja discutida na Assembleia da República sem efeitos negativos nem confusão fiscal, referiu ainda que a questão da habitação tem uma componente social que não pode deixar o Governo indiferente. “Se fosse qualquer outro mercado que não o imobiliário, diria que o Estado tinha pouco que ver com o assunto. Era entre privados. Mas acho que com o imobiliário não pode ficar indiferente”, defendeu.

Manuela Ferreira Leite ainda deixou “um recado ao CDS”, que se afastou de Rio e disse ter uma alternativa “taxa Robles versão Rio”: avançaram com uma proposta para reduzir os impostos sobre os rendimentos prediais para arrendamentos de longa duração, de forma a estimular a estabilização do mercado.

“É realmente uma atitude que não tem sentido do ponto de vista da discussão, porque é evidente que todos querem baixar impostos. O que é preciso saber é onde se aumenta e quanto se aumenta, onde se baixa e quanto se baixa”, disse Ferreira Leite.

Orçamento para 2019: expetativa aguçada

Manuela Ferreira Leite admitiu estar curiosa para ver como vão decorrer as negociações para o Orçamento do Estado de 2019. E lembrou: “É a primeira vez que é preparado nestas condições”. E que condições são estas? Um orçamento em ano eleitoral em que participam dois partidos que até aqui não “tinham pretensões a liderar”.

Estou com uma expetativa aguçada para ver este Orçamento. Estou para ver as propostas de um Bloco de Esquerda e de um PCP”, disse a antiga ministra, que considerou que todas as medidas vão ser “num sentido estratégico”. “Não pode ser vago, tem de ser exequível. Como é que isto se compagina?”, questionou, depois de considerar que vai ser um “exercício bastante difícil de fazer”.

Para Ferreira Leite, as propostas do Governo e da oposição têm de “ser equilibradas, corretas e coerentes”. E disse ainda que tudo isto deve ir ao encontro daquilo que “é o objetivo do ministro das Finanças”: o défice zero. “Acho que ele [Mário Centeno] não vai abdicar disso. Acho difícil – e não quer dizer que concorde.”