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Rui Rio para os críticos: “Estou cheiinho de medo”

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Luís Montenegro tinha acusado Rui Rio de ter uma “atitude provocatória” para com os críticos e condenou o modus operandi do líder. O presidente do PSD não teve rodeios e respondeu com nova provocação: os adversários internos não lhe tiram o sono, garantiu

Está animado o PSD. Os críticos atacam, Rui Rio convida a sair. Os adversários queixam-se das provocações, o líder responde com nova provocação. À entrada para um Conselho Nacional que se antecipa tenso, o presidente social-democrata reagiu às ameaças dos seus opositores em jeito de desafio: “Estou cheiinho de medo”.

Rui Rio respondia assim a Luís Montenegro, que, na TSF, acusou o líder social-democrata de ter “uma atitude provocatória” e de não saber o que significa liderar um partido. "Nunca nenhum líder do PSD foi capaz de dizer uma coisa destas. Liderar não é isto. É ir à procura de apoio, é somar, é agregar, é motivar, é mobilizar e fazê-lo sobretudo quando as pessoas não estão de acordo à partida”, afirmou o antigo líder parlamentar, no programa “Almoços Grátis”.

À chegada ao Centro de Congressos das Caldas da Rainha, onde se realiza o Conselho Nacional do PSD, Rio não teve meias-medidas. As críticas de Montenegro vão incendiar a reunião do órgão máximo entre congressos? “Estou cheiinho de medo”, sentenciou o presidente do PSD.

PSD reinventa “Taxa Robles” e apresenta proposta própria

Se a troca de mimos entre Rio e os seus adversários internos soma e segue, a tendência será para piorar: depois de ter sido o único líder partidário a pôr-se ao lado da medida do Bloco de Esquerda, para choque geral de uma parte considerável do PSD, o líder social-democrata decidiu agora avançar com uma proposta própria para combater a especulação imobiliária, que vai levar para a discussão do Orçamento do Estado para 2019.

Mesmo garantindo que a medida do PSD será tecnicamente muito diferente do princípio enunciado pelo Bloco de Esquerda, Rui Rio não mudou uma vírgula ao que dissera no dia anterior: o instinto dos bloquistas está correto e só alguém que pensa de forma “acéfala” a política pode rejeitar uma proposta só porque ela tem a marca de água do partido liderado por Catarina Martins.

Então, o que propõe Rio? “A taxa do imposto IRS sobre as mais-valias, que já existe, deve ser diferenciada”, explicou. Ou seja, em teoria, Rio quer penalizar “quem compra e vende num curto espaço de tempo” (num ano, por exemplo), e diminuir a taxa cobrada “a quem tem o imóvel durante muito tempo”. No limite, sugeriu o presidente do PSD, aqueles que preservam um determinado imóvel durante muitos anos (“20, 30 anos") podem até não pagar essa taxa sobre as mais-valias.

Na terça-feira, e já depois de os socialistas terem rejeitado de forma categórica a proposta do Bloco de Esquerda, Rui Rio não hesitou em defender publicamente a ideia. “Não a rejeito liminarmente, não é assim uma coisa tão disparatada, porque, efetivamente, uma coisa é comprarmos e mantermos durante ‘x’ tempo e outra coisa é andarmos a comprar e a vender todos os dias só para gerar uma mais-valia meramente artificial”, afirmou o líder social-democrata. As ondas de choque não se fizeram esperar e houve quem, no PSD, sugerisse que Rio estava à esquerda do PS. Nada que demova o líder social-democrata, está visto.

  • Os desafios de Rio e a prova de algodão para os críticos

    Depois de meses a ser criticado pelos adversários internos, Rui Rio terá no Conselho Nacional desta quarta-feira, nas Caldas da Rainha, uma oportunidade para clarificar a estratégia do partido, enfrentar os críticos e controlar o calendário. Os que querem derrubar o líder, terão de fazer a sua parte: ir a jogo.