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Pedro Marques e o “homem que mordeu o cão”: “Passámos do powerpoint às obras”

M\303\201RIO CRUZ

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas foi acusado de nada fazer para resolver o alegado colapso da CP. Pedro Marques preferiu sublinhar o esforço de investimento sem precedentes e desvalorizou todas as notícias sobre o caos nos transportes: são a exceção que confirmam a regra.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, defendeu-se esta quarta-feira das notícias que dão conta do alegado colapso na CP e, em particular, da linha de Cascais, responsabilizando o anterior Governo pelo "abandono" a que votou a ferrovia e garantindo que o atual Executivo está a agir em todas as frentes: investimento nos recursos humanos, requalificação de várias linhas por todo o país, aluguer de novos comboios para satisfazer as necessidades de curto prazo e aquisição de novos comboios, que deverão chegar ao país apenas em 2023.

No Parlamento, Pedro Marques foi várias vezes acusado pela oposição de ser o “ministro de propaganda” do atual Governo, repetindo, semana após semana, promessas inconsequentes. O governante rejeitou as críticas, enumerou as obras que estão em curso e devolveu as acusações: o anterior Executivo “abandonou”, “destruiu” e “degradou para privatizar”; o atual, garantiu Pedro Marques, vai investir “2 mil milhões de euros na ferrovia” e, pela primeira vez “em 20 anos”, ordenou a compra de novos comboios. “Passámos do [vosso] powerpoint às obras”, respondeu o ministro, a PSD e a CDS.

Confrontado com os problemas que se têm registado na linha de Cascais, Pedro Marques preferiu sublinhar os 50 milhões de euros que o Governo tenciona investir, recorrendo ao apoio dos fundos comunitários.

Segundo o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, o objetivo do Governo é avançar para o reforço do controlo de segurança, para a requalificação da rede de eletrificação e migração do sistema de tensão, dos atuais 1.500 volts em corrente contínua para os 25.000 volts em corrente alternada. Será esta migração que vai permitir a entrada de outro tipo tipo de comboios nesta linha.

Apesar das garantias de Pedro Marques, os problemas na CP e, em particular, na linha de Cascais, continuam a fazer-se sentir. Esta quarta-feira, o “Dinheiro Vivo” dá conta de que a CP foi obrigada a suprimir oito comboios em plena hora de ponta por não ter material suficiente para cumprir os horários que a própria empresa fixou. Uma informação confirmada, aliás, pela comissão de trabalhadores da Infraestruturas de Portugal (IP), que assegurou ao mesmo “Dinheiro Vivo” que o “excesso de imobilização do material circulante” estava na origem destas supressões.

Para Pedro Marques, estas notícias não pintam o verdadeiro quadro e refletem o complexo do “homem que mordeu o cão” – ou seja, estes casos só têm destaque porque são a exceção à regra. Segundo o ministro, os comboios foram suprimidos porque as carruagens foram alvo de atos de “vandalismo” e não por qualquer problema que possa ser imputado à CP, à IP, na qualidade de gestora da rede ferroviária nacional, ou ao Governo. Mais: dirigindo-se diretamente aos deputados da oposição, que o acusaram sistematicamente de ser o “ministro da propaganda” deste Governo, Pedro Marques garantiu que, nestes dois últimas dias, houve uma taxa de cumprimento na linha de Cascais superior a “98%”, mais do que o Governo PSD/CDS conseguiu ao longo do seu mandato.

Pedrógão Grande. Um ano depois, existem ainda cem famílias sem ligações telefónicas

Outra nota que ficou da audição de Pedro Marques: nais de um ano depois, existem cem famílias que ainda aguardam a reposição das comunicações destruídas na sequência dos incêndios que afetaram a região de Pedrógão Grande.

A informação foi avançada pelo próprio ministro do Planeamento e das Infraestruturas, no Parlamento. Sublinhando que havia mais de 500 mil famílias com ligações afetadas, o governante preferiu apontar para o copo meio-cheio: dessas 500 mil, apenas cem famílias estão sem comunicações.

“O regulador informa-nos de mais de 500 mil famílias afetadas e indica-nos que a generalidade dos processos estão concluídos”, reforçou Pedro Marques, ouvido na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas.

De acordo com o ministro, destas 100 famílias, “20 têm reposições agendadas, 40 pessoas recusaram as propostas das operadoras e as outras 40 não se conseguiram contactar”.

Obras na 25 de Abril arrancam até ao início de 2019

Numa audição muito centrada na discussão sobre a reprogramação dos fundos comunitários Portugal 2020, Pedro Marques garantiu ainda que as obras na ponte 25 de Abril devem arrancar até ao início de 2019.

“Sem surpresas, a obra [na ponte 25 de Abril] poderá iniciar-se no final deste ano ou início de 2019. Esta obra está e continuará a estar segura”, assegurou o ministro.

De acordo com Pedro Marques, o empreiteiro responsável pela obra já foi selecionado, estando dependente da audição prévia e da luz verde do Tribunal de Contas, que terá de validar o contrato que venha a ser assinado com o vencedor do concurso público. A menos que algum dos concorrentes venha a contestar os resultados do concurso, o calendário está a ser cumprido tal como foi inicialmente definido, assegurou o ministro.