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Azeredo não sabe se material de Tancos foi todo recuperado e passa a bola à investigação

Ministro da Defesa, Azeredo Lopes

RODRIGO ANTUNES/LUSA

Ministro da Defesa só dá uma garantia: "Segurança nacional não está em risco". Questionado sobre se falta material, responde que não pode dizer "nem que sim nem que não". PSD admite chamar António Costa para pedir explicações e CDS diz que Azeredo "não tem condições para continuar"

Foi a quarta ida ao Parlamento do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, para falar sobre o caso de Tancos por insistência da oposição. Uma insistência que visa "criar alarme social", defendeu esta quarta-feira o governante. Questionado de novo sobre se afinal o material roubado foi ou não todo recuperado, como se diz num acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa revelado pelo Expresso em julho, o ministro chutou o assunto para o Ministério Público: "Como é que poderia certificar ou deixar de certificar qual o material recuperado? A questão está neste momento sob alçada do MP. As funções do Executivo não devem confundir-se com as das autoridades judiciais".

"Continuo sem ter a certeza se falta material ou se é uma falha de inventário. Não digo nem que sim nem que não", admitiu Azeredo, dizendo ter conhecimento do caso apenas através do Expresso, uma vez que o assunto está sob segredo de justiça - um argumento, diz o PSD, usado pelo Governo quando "convém". A única coisa que deu por certo foi que "não está em causa, nem que se verifique essa falta, a segurança nacional".

Mais uma vez, Azeredo Lopes viu-se confrontado pelos deputados com aparentes contradições nesta matéria: até o primeiro-ministro chegou a congratular-se com a recuperação do material, para este verão, depois da notícia do Expresso, o chefe do Estado-maior do Exército, Rovisco Duarte, vir dizer que nunca se tinha garantido que o material referido era "todo" o material inicialmente roubado.

Esta quarta-feira, o ministro insistiu: a informação de que o armamento tinha sido recuperado foi transmitida em primeiro lugar ao Governo pela Polícia Judicial Militar, que tem também a responsabilidade da perícia ao material recuperado. Por isso, para Azeredo Lopes, o ónus fica com a polícia militar - "não sou diretor da PJM" - mas também com o MP - "Os acórdãos estão sob segredo de justiça e a culpa é do ministro?" A estes argumentos, com a concordância de vários deputados na sala, o PCP concluiu: "Então não devia ter feito as declarações" em que assegurava que o material tinha sido recuperado. Já o CDS foi mais longe e reafirmou que o ministro "não tem condições para continuar no cargo".

Depois de os centristas terem apontado responsabilidades também ao CEME, como aliás já tinham feito em julho, pedindo mesmo a exoneração de Rovisco Duarte, Azeredo pareceu defender o chefe militar. "O CEME não conduz o processo de investigação e de recuperação do material", sublinhou. Tudo depois de João Rebelo, do CDS, ter exigido: "Descobrir quem falhou nas medidas de segurança cabe ao Exército desvendar, e se resiste cabe ao senhor impor que o faça". Para a oposição, a responsabilidade chega, por isso, às mais altas instâncias políticas, tendo o PSD admitido mesmo chamar o primeiro-ministro ao Parlamento para dar explicações sobre o caso.

Ministro irritado com Rio

O ministro também mostrou irritação com as recentes declarações de Rui Rio sobre o caso, acusando o líder do PSD - através de uma mensagem no Facebook - de fazer "chacota" com instituições do Estado e pedindo aos partidos que não "instrumentalizem" este caso para fins políticos. Na semana passada, Rio usou o famoso sketch de Raul Solnado sobre uma ida à guerra para se referir ao caso de Tancos.

"O Governo reivindica ter cumprido o seu dever, que era desencadear todos os processos" que se seguiram ao roubo, defendeu o ministro. Azeredo Lopes alegou que boa parte dos problemas de segurança já vinha pelo menos da década de 1980 e que o Executivo assumiu a responsabilidade por o roubo ter acontecido no seu mandato, adotando novos sistemas de inventariado e de reposição física da segurança dos paióis.