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Marques Mendes: “Rio cometeu um erro enorme ao desafiar os seus críticos internos a sair do partido”

Luís Marques Mendes criticou este domingo aquilo que considerou ser “um sinal de nervosismo, de insegurança e de fraqueza” do atual líder do PSD, considerando que este “desvia as atenções” da oposição ao Governo. “Se quer ganhar eleições, Rio tem de falar para o país e não para dentro do partido”

“Ao longo de oito meses de liderança, alguém se lembra de uma causa ou proposta política do PSD? Não, só de críticas internas. Alguém se lembra do que Rio disse há uma semana no Pontal? Não, só de críticas internas.” Foi assim que Luís Marques Mendes resumiu a atuação de Rui Rio nos últimos meses enquanto líder do PSD, classificando aquilo que considera ser “um sinal de nervosismo, de insegurança e de fraqueza”.

No habitual espaço de comentário de domingo na SIC, o antigo dirigente do Partido Social Democrata acusa Rui Rio de desviar “as atenções do essencial”, a oposição ao Governo, e de virar “o partido para dentro”. “Se quer ganhar eleições, Rio tem de falar para o país e não para dentro do partido”, defende, sublinhando que um líder deve ser “um agregador” e não “um incendiário”. “O seu adversário é o primeiro-ministro, não são os companheiros do partido.”

Ainda assim, Marques Mendes mostra-se satisfeito com o facto de o presidente do PSD ter recuado, este domingo num discurso na universidade de verão dos sociais-democratas, no que tinha dito anteriormente em entrevista à TSF.

O comentador político recorda que o PSD viu a sua popularidade decrescer em apenas um mês, de 27% para 24%, “o pior resultado de sempre do partido numa sondagem”. “Perde mais de 10% das suas intenções de voto num mês e, pior ainda, vê o CDS crescer à sua custa”, realça, acrescentando que a quebra na popularidade se deve às “querelas internas” e ao anúncio da criação de um novo partido por Pedro Santana Lopes.

Mas o PSD não está sozinho na quebra de confiança. O mês de agosto também não foi simpático para o Bloco de Esquerda, que caiu de 9% para 7% e “perdeu mais de 20% das suas intenções de voto”, aponta. E dá uma explicação: “É o efeito do caso Robles. Muito mau. Perdeu força no pior momento possível, a negociação do Orçamento de Estado.”

“As rentrées já não são o que eram.” CDS foge à regra

Citando o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, o atual comentador da SIC concorda que “as rentrées já não são o que eram”. Porquê? “Antes tinham sempre grandes novidades. Agora são mais do mesmo”, diz, apontando aquilo que considera serem “discursos ‘tipo ‘lista telefónica’. Fala-se de tudo, de A a Z, mas não fica nenhuma mensagem clara.”

Para Marques Mendes, as rentrées do Bloco de Esquerda e do Partido Socialista entram nesta categoria. “E não foi muito diferente hoje”, acrescenta. Na festa do Avante, os discursos do PCP são “repetição da matéria dada”; na universidade de verão do PSD, elogia “a grande iniciativa” e “o discurso do líder” que “já não se virou para dentro com críticas internas”, mas diz que continua a faltar uma proposta concreta e alternativa à do Governo.

Só o CDS parece escapar às críticas. O comentador da SIC considera que Assunção Cristas teve “vários picantes”, ao mostrar “grande dureza com o Governo” e assumir o tema da redução de impostos como bandeira do partido.

A prova da sua eficácia não tardaria a chegar. “O PS perdeu a cabeça e deu uma conferência de imprensa a bater em Assunção Cristas”, comenta. “Ela certamente agradece, só lhe reforça o estatuto”, remata.