Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Nuno Melo: “Cristas é hoje a líder da oposição”

Momento de descontração de Nuno Melo e Assunção Cristas

Rui Duarte Silva

Chegou a ser apontado como rival na liderança do partido, mas na rentrée do CDS o vice Nuno Melo teceu elogios a Cristas e bateu na esquerda. O alvo preferencial foram os bloquistas, com ênfase em Ricardo Robles. Sobre Europa, o candidato ao Parlamento Europeu pouco falou

Foi o primeiro e, até ver, único candidato apresentado por um partido às eleições europeias, mas no seu discurso de rentrée Nuno Melo referiu a Europa apenas como nota de rodapé. Falando na festa de verão do CDS, em Ermesinde, o vice do partido preferiu abordar a política nacional e carregar forte nos ataques à esquerda, particularmente ao Governo e ao BE. Com uma conclusão que acabou por ser também um aviso à direita: "Cristas é hoje, de facto, a líder da oposição".

Não tinham passado mais de dois minutos desde o início do seu discurso quando atirou a primeira farpa ao Executivo: “Cá estamos nós a fazer a nossa festa sem fretar comboios, porque não precisamos de prejudicar a vida de mais ninguém”, ironizou, em referência à polémica do comboio especial alugado pelo PS para a festa da rentrée socialista, em Caminha. “E não me parece que tenhamos menos gente”, prosseguiu.

A partir daqui, os ataques foram constantes. Primeiro, à medida que Costa anunciou, precisamente na rentrée, para reduzir em 50% o IRS dos emigrantes que saíram do país nos anos da crise e queiram regressar a Portugal, classificada por Melo como “uma politiquice quase cínica”. “Começava por agradecer a todos os milhões de portugueses de quem Costa se esqueceu, que cá ficaram para que hoje encontrasse Portugal muito melhor”, criticou, atacando a “mesquinhez” do primeiro-ministro por dirigir a medida precisamente a quem deixou o país nos anos do anterior Governo PSD/CDS. E recordou que muitos portugueses saíram por opção. “Porque é que hão de ter o IRS pela metade enquanto quem cá está com salários baixos o paga na totalidade?”

Mas alguns dos ataques mais ferozes estavam guardados para o Bloco de Esquerda. Desde logo, porque os dirigentes bloquistas têm escolhido como alvo de críticas o ministro das Finanças (Marisa Matias disse na rentrée do BE que “Centeno não entrou para o Eurogrupo, foi o Eurogrupo que entrou em Mário Centeno" ; Mariana Mortágua referia-se ao ministro, em entrevista ao Expresso deste sábado, como uma “força de bloqueio”). Ora, o CDS considera que as críticas do BE são hipócritas: “Neste país Centeno só é ministro das Finanças porque o BE quer e o resto é conversa. O BE entrou no PS como o PS entrou no BE”, disparou. E prosseguiu nas críticas puxando pelo caso Robles, o vereador do BE em Lisboa que se demitiu depois de ter sido descoberto o seu envolvimento num negócio por muitos considerado especulativo com um prédio em Alfama. “Ainda não vi Mortágua a grafitar na casa do colega ‘aqui há facho’”, declarou Melo, para gáudio da audiência.

Para o outro parceiro do Governo, uma crítica rápida: com o estado “imoral” dos hospitais e os problemas na CP, “nem uma manifestação do PCP?” “Que diferença para os tempos entre 2011 e 2015”, sublinhou. Apesar de ser eurodeputado e candidato a novo mandato, Nuno Melo guardou para o fim do discurso, algumas palavras sobre a Europa, apenas uma breve revisão das prioridades já conhecidas do CDS: a oposição ao federalismo e a livre circulação de pessoas exigindo “respeito pelas nossas leis, valores e costumes” e priorizando a “segurança”.