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Cristas abre o ano político com ataques à esquerda e um recado à direita: “Somos a única alternativa”

Rui Duarte Silva

Enérgica, a presidente do CDS reforçou nesta rentrée a ideia que quer passar para as legislativas: o voto nos centristas é uma espécie de voto útil contra António Costa. Propostas para reduzir o IRS e alargar a ADSE são as apostas fortes do partido para o ano que começa

Atacar a esquerda, posicionar-se firme à direita e cobrir todas as áreas em que o Governo falha com propostas novas. A estratégia do CDS para agarrar o eleitorado em ano de legislativas e europeias está definida e não treme: na tarde deste sábado, perante um público bem composto no Parque Urbano de Ermesinde, Assunção Cristas apareceu enérgica e definiu as prioridades do partido para os próximos meses, assegurando uma e outra vez que o CDS é a única oposição verdadeira ao Governo.

Recordando as áreas prioritárias que tinham ficado definidas no Congresso do partido (demografia, coesão territorial, saúde), Assunção Cristas anunciou no seu discurso as medidas mais emblemáticas da rentrée, e que o Expresso já antecipava na edição deste sábado: o partido propõe agora uma redução faseada, “bem pensada”, em todos os escalões do IRS e um alargamento da ADSE para todos os portugueses que desejarem aderir (aumentando para isso as contribuições que financiam o sistema).

Não foram as únicas medidas por que puxou na sua intervenção. Aproveitando o mote da rentrée – o CDS decidiu organizar em Ermesinde a “festa das famílias”, encorajando os militantes e simpatizantes a levarem familiares -, Cristas colocou ênfase na natalidade, área em que o CDS levará um conjunto de propostas ao Parlamento já em setembro. Entre elas está a criação de um passe coletivo para as famílias e uma cobertura total da rede de creches, contratualizando com privados. Também relacionada com a família está a já conhecida proposta para a criação do ‘smartworking’, uma forma de teletrabalho que tem vindo a ser estudada pelo CDS.

As medidas foram anunciadas em contraponto com as que são defendidas pela esquerda (por exemplo, a redução de IRS só para emigrantes que regressem a Portugal prometida por Costa ou a redução nas contribuições para a ADSE proposta pelo Bloco de Esquerda). E assim foi feita também boa parte do discurso da presidente do CDS. Das cativações ordenadas pelo Ministério das Finanças à resposta do Governo ao incêndio em Monchique, Cristas foi enumerando o que considera serem falhanços do Executivo de Costa, apoiado por BE e PCP.

O futuro de Portugal não passa por António Costa

É este ataque que explica a base do discurso que tem sido constante desde o congresso do CDS, em março, e que Cristas fez questão de repetir: entre as “esquerdas encostadas” que apoiam o Governo e um PSD que agita os fantasmas do velho Bloco Central, o CDS é “o único partido que recusa servir de muleta a António Costa”. Disse-o de todas as formas possíveis: “Para nós, o futuro de Portugal não passa por António Costa à frente do Governo. Estamos a trabalhar para isso”. E concretizou mais ainda. “Quem quer António Costa, quem consente António Costa, tem muitas opções. Quem quer uma verdadeira alternativa tem um único voto seguro.”

Cristas tem defendido que a melhor forma de garantir que o próximo Governo não será liderado pelo PS de António Costa passa pela formação pós-eleitoral de um bloco dos partidos de direita, como aconteceu em 2015 com a geringonça. E por isso, para a direita, numa altura em que já estava claro que Cristas não vê Rui Rio ou Santana Lopes como verdadeiros opositores de Costa, a líder centrista deixou um recado - de olho nas legislativas: “Queremos ser parte de uma alternativa de centro direita para Portugal. E tudo faremos para sermos a primeira escolha!”