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Paulo Rangel pressiona Governo a reconduzir PGR e exige “bom-senso”

Fernando Veludo / Lusa

O eurodeputado português considera que Joana Marques Vidal deve ser reconduzida no cargo e acusou o Governo de ter uma "agenda" para afastar a Procuradora-Geral da República

Sem meias-palavras. Com Rui Rio e a direção do PSD apostados em atirarem para as calendas qualquer ideia sobre a recondução ou não de Joana Marques Vidal, Paulo Rangel fez questão de deixar clara a sua posição e marcar a diferença para o líder: a Procuradora-Geral da República (PGR) tem de continuar.

“Depois do desempenho que teve a PGR, discreta, eficaz, sem qualquer conotação política, é incompreensível esta agenda que tem o Governo de não a querer reconduzir”, começou por criticar o eurodeputado social-democrata, que fez uma intervenção na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, antes de deixar um aviso: “Espero que o Governo tenha bom-senso. Fará o que quiser, mas terá de responder pelo que fizer”.

Rangel não resistiu a recordar os exemplos da Roménia e da Eslováquia, onde governos socialistas estão a condicionar cada vez mais a Justiça, para lançar a uma provocação ao Governo português: António Costa e o PS até uma “fake Constitution” inventaram para justificar a saída de Joana Marques Vidal. “Sem Justiça independente não há democracia”, sublinhou o eurodeputado.

Nem Marcelo ficou sem resposta

O alvo continuaria a ser o Governo, mas nem Marcelo Rebelo de Sousa escapou incólume às críticas de Paulo Rangel. Com o agravar da crise na Venezuela, o Presidente pediu aos partidos para não usarem o drama humanitário como “instrumento de campanha eleitoral”.

Paulo Rangel não concorda e assumiu-o esta quinta-feira: a crise na Venezuela tem implicações políticas e o Governo pode e deve ser escrutinado pelas decisões que toma. Sobretudo, depois de António Costa ter anunciado um bónus para aqueles (e só para aqueles) que emigraram entre 2011 e 2015. “É revoltante que, numa altura em que há uma comunidade portuguesa que está a passar fome e em risco de vida na Venezuela, haja um programa para emigrantes de 2011-2015 e não haja um programa para [receber] emigrantes portugueses na Venezuela”, criticou o eurodeputado português. A resposta a Marcelo viria depois, quase em jeito de dano colateral: “Tem de se fazer política com isto. Não se pode calar”, atirou Rangel.

A terminar, o social-democrata acusou o Governo de António Costa de falhar em toda a linha nas áreas de soberania. E tudo em nome da necessidade de “fazer flores” para manter o “milagre” da devolução de rendimentos, o Executivo falhou na Justiça (PGR), nas Forças Armadas (Tancos), nos Negócios Estrangeiros (Venezuela) e na Administração Interna (incêndios e sinistralidade rodoviária), enumerou Rangel. “Este Governo não trata da segurança das pessoas”, rematou o eurodeputado. Quase parecia ter entrado em modo de líder da oposição.