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PSD e CDS-PP criticam estado dos serviços públicos com destaque para a saúde

Foto António Pedro Ferreira

Fernando Negrão defendeu que atualmente “os setores mais importantes dos serviços públicos vão-se desmoronando” e que se vive “um caos que se agudiza de dia para dia” no setor da saúde

PSD e CDS-PP criticaram nesta quinta-feira o estado dos serviços públicos, com destaque para a saúde e para as demissões no hospital de Gaia, com sociais-democratas a falarem em "caos" e centristas a considerarem a situação "inaceitável".

No período de declarações políticas da reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República, o PSD criticou também o estado dos transportes públicos, em particular a ferrovia, e alegou que o Governo se prepara para "ações eleitoralistas". Por sua vez, o CDS-PP voltou a contestar o processo de descentralização e a acusar PSD e PS de passarem "um cheque em branco" ao Governo nesta matéria.

O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, foi o primeiro a discursar e defendeu que atualmente "os setores mais importantes dos serviços públicos vão-se desmoronando" e que se vive "um caos que se agudiza de dia para dia" no setor da saúde, "com cada vez mais dificuldades para os profissionais, numa intolerável falta de respeito para com os utentes". "A política de saúde em Portugal está moribunda e o Governo mais não faz que assobiar para o lado, como se não fosse nada com ele", reforçou.

O social-democrata deu como exemplo o caso da "demissão de 52 diretores e chefes de serviço do Hospital de Vila Nova de Gaia em protesto contra a falta de condições que se arrasta há meses", considerando que "devia dar que pensar ao senhor primeiro-ministro e ao ministro da Saúde". "E o que faz o Governo? Nada. Infelizmente, quem sofre são sempre os mesmos", observou.

No mesmo sentido, na sua intervenção, a deputada do CDS-PP Cecília Meireles alegou que o Governo está "cada vez mais diligente na propaganda" e com uma ação "cada vez mais alheia às dificuldades dos serviços públicos".

Quanto ao caso do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, que já levou o CDS-PP a pedir a audição urgente da administração deste hospital, Cecília Meireles interrogou: "O senhor ministro, o Governo de Portugal respondeu? Deu explicações para o assunto, nalgum momento sossegou as populações?"."É inaceitável a situação e é inaceitável que um Governo que perante um facto com esta gravidade nada diz e nada faz e nenhuma explicação oferece", considerou.

Ainda no plano da saúde, a deputada do CDS-PP sugeriu aos deputados do PS que perguntem ao executivo "se já resolveu, se já fez alguma coisa" quanto à ala pediátrica do Hospital de São João, no Porto, acrescentando: "Creio que descobrirão que não". Relativamente aos serviços públicos, Cecília Meireles apontou também o dedo ao PCP e ao Bloco de Esquerda, dizendo que "choram aqui lágrimas de crocodilos" e que "esse estado tem a ver com o Governo que viabilizam e com o Orçamento que votam".

Por sua vez, o líder parlamentar do PSD acusou PCP e Bloco de andarem "a fingir que discordavam do Governo, embora sem nunca deixarem de o apoiar". "E agora percebemos porquê: com a complacência do PS, ambos já manifestaram a vontade de vir a integrar um eventual Governo. Ficou assim claro que não é o interesse dos portugueses que os move, não é o interesse dos portugueses que os move. É só o interesse pelo poder. É esta a famosa solução de Governo", atirou, recebendo palmas da sua bancada.

O líder parlamentar do PSD sustentou que existe igualmente "caos nos transportes públicos", e que o Governo cortou neste setor "pela calada". "Vejam-se os atrasos constantes, as supressões de comboios, as reduções de horários, o estado lastimoso das linhas e das estações de comboios, que colocam inclusivamente em causa a segurança dos passageiros e trabalhadores", referiu Negrão.

Segundo o social-democrata, o Governo "fala de investimentos que ninguém vê, faz meia dúzia de promessas e, pela calada, aumenta os cortes no setor em mais de 20 milhões como aconteceu em maio passado". "Hoje a ferrovia é a rubrica com a maior parcela congelada pelo Governo. E quem mais sofre são, infelizmente, sempre os mesmos", concluiu.