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David Justino: “Há professores que nunca deviam ter entrado no sistema de ensino”

David Justino é vice-presidente do PSD, foi ministro da Educação entre 2002 e 2004 e até ao ano passado presidente do Conselho Nacional de Educação

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O ex-ministro da Educação considera que o sistema de Ensino continua sem promover o mérito entre os professores. Mesmo assim, David Justino apontou críticas ao Governo: tem de “tratar melhor os professores”

David Justino, presidente do Conselho Estratégico Nacional do PSD e ex-ministro da Educação no Governo de Durão Barroso, não tem dúvidas: um dos “problemas de base” no Ensino é o facto de existir uma percentagem relevante de professores que "nunca" deviam ter entrado na sala de aula.

Num jantar-conferência a partir da Universidade de Verão do PSD, em que teve ao seu lado Sebastião Feyo Azevedo, antigo reitor da Universidade do Porto, o dirigente social-democrata defendeu que o país não conseguirá resolver “nada” na Educação, enquanto não for capaz de resolver a falta de critério na “entrada” de professores no sistema de ensino. “Há 15% dos professores que nunca deviam ter entrado no sistema de ensino”, criticou David Justino.

Apesar das palavras duras para a classe docente, David Justino preferiu apontar baterias à atual política para a Educação do Governo socialista. “Não é por contratar professores a torto e a direito, que vamos ter melhores resultados”, sugeriu o social-democrata, defendendo que há, hoje, um sentimento generalizado de “desmotivação, cansaço e mal-estar” nas escolas, em parte, graças à forma como são tratados os professores.

“Tem de se tratar melhor os professores, não criando expectativas que depois não são correspondidas”, defendeu o antigo presidente do Conselho Nacional de Educação, referindo-se, sem concretizar, ao braço de ferro entre sindicatos e Governo em torno da contabilização dos anos de carreira que estiveram congelados.

Voltando-se para o Ensino Superior, David Justino lançou outra ideia controversa: a única forma de combater a “endogamia” que atravessa as universidades portuguesas é impedir que as instituições contratem os seus próprios doutorados. “Esse é um problema complicadíssimo que ninguém tem coragem de enfrentar”, denunciou.

Na fase final da sua intervenção, o dirigente do PSD criticou igualmente a decisão do Governo de cortar 1100 vagas no Ensino Superior em Lisboa e Porto com o objetivo de favorecer o interior do país. “É a medida mais irracional que existe. É condicionar o acesso dos melhores alunos aos melhores cursos”, defendeu o social-democrata.