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PSD do Porto acusa Rui Moreira de mentir ao responsabilizar Rui Rio pelas indemnizações no Parque da Cidade

ANT\303\223NIO COTRIM

Concelhia do PSD/Porto afirma que Rui Moreira mentiu, esta terça-feira, por mais do que uma vez na reunião de Câmara ao apontar responsabilidades ao seu antecessor pelas indemnizações de mais de 50 milhões de euros pagas para impedir a construção no Parque da Cidade

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A concelhia liderada interinamente por Hugo Neto acusa, em comunicado, o presidente da Câmara do Porto de “na ânsia de desresponsabilizar Nuno Cardoso, também ele candidato independente em 2013”, procurar ”branquear o comportamento dum autarca condenado a pena de prisão pelos tribunais”.

A dura reação do PSD do Porto surge na sequência da reunião pública de executivo desta terça-feira, na qual Rui Moreira afirmou que a construção de dois edifícios de habitação na escarpa limítrofe à Ponte da Arrábida resultam de direitos de construção adquiridos durante a presidência de Nuno Cardoso e que Rui Rio tentou travar judicialmente sem sucesso.

Em comunicado, a Comissão Política laranja refere que os portuenses já tinham percebido “a identificação de Rui Moreira com o conceito de cidade densa defendido por Nuno Cardoso, mas para espanto de muitos ou talvez, felizmente de cada vez menos, ficaram, também hoje, a saber que com Rui Moreira não só temos construções na Arrábida, como teríamos tido construções no Parque da Cidade”.

Na nota enviada ao Expresso, o PSD/Porto diz que Rui Moreira mente quando diz que Rui Rio e o PSD “são responsáveis pelas indemnizações pagas para evitar as construções no Parque da Cidade”, advertindo que a cidade sabe que Nuno Cardoso “autorizou essas construções já depois de umas eleições, sabendo que a cidade e o seu sucessor (Rui Rio) eram contra a construção”.

Após Álvaro Almeida ter criticado a governação independente por ter permitido o licenciamento na escarpa da Arrábida, o PSD local acusa ainda Rui Moreira de mentir “quando diz que não gosta das construções na Arrábida, quando não só nada fez para as evitar mas pelo contrário, permitiu a facilitação e aceleração dos processos de licenciamento tentando que as construções se tornassem irreversíveis”.

O autarca portuense referiu, esta terça-feira, que pessoalmente também não gosta dos edifícios da polémica, mas que a cidade não pode ficar refém do gosto de quem as preside, quando põem em causa direitos constituídos que podem custar ao município milhares de euros em indemnizações.

Neste ponto, a concelhia laranja também sustenta que Rui Moreira mente, ao dizer “que o valor gasto em indemnizações fez falta na construção de habitação social - a aposta do PSD foi na reabilitação da habitação social e aqui mais uma vez, o PSD cumpriu - mais de 160 milhões de euros investidos na habitação social e 13 bairros sociais reabilitados”.

Finalmente, Rui Moreira, “volta a mentir quando para não responder à carta aberta do PSD diz que a mesma foi enviada para a comunicação social, antes de ser lhe enviada”, adianta ainda o comunicado, referindo que ao contrário dos pedidos de reunião da Câmara de Rui Moreira à Direção Regional de Cultura, “que em pleno século XXI, estranha e misteriosamente se perdem e ficam sem seguimento”, a carta aberta do PSD, de 28 de agosto, seguiu por mail (como habitual nas comunicações com a Presidência da autarquia) e temos registo desse envio.

O PSD do Porto afirma que se Rui Moreira pensa que pode condicionar o PSD na questão das construções da Arrábida não o conseguirá, dado que “nunca teve um Presidente de Câmara com interesses imobiliários na cidade e não vai deixar de dizer que é contra as construções em Zona Especial de Proteção dum Monumento Nacional”.

Na missiva enviada nesta terça-feira, a concelhia avança que ao contrário de alguns que parecem muito nervosos, “eventualmente porque interesses que não o interesse público estão a ser denunciados, no PSD Porto estamos muito tranquilos e nesta fase, acreditamos e vamos lutar para que terrenos de que privados indevidamente se apropriaram voltem a ser da titularidade da Câmara e do Estado, ou seja de todos nós”.

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