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Orçamento. Negrão pede a Costa que trave ambiente de eleitoralismo

António Pedro Ferreira

Negrão recuperou algumas das promessas que já foram deixadas pelo Governo para o próximo Orçamento do Estado, acusando o executivo de se “enganar a si próprio e querer enganar os portugueses”

O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, apelou nesta segunda-feira ao primeiro-ministro para que trave o "ambiente de eleitoralismo" que diz viver-se no país, considerando que retira o "rigor e responsabilidade" necessários à discussão do Orçamento do Estado para 2019.

Na intervenção de abertura da Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide (Portalegre), até domingo, Negrão recuperou algumas das promessas que já foram deixadas pelo Governo para o próximo Orçamento do Estado, acusando o executivo de se "enganar a si próprio e querer enganar os portugueses".

"Paira no ar a ideia de que este governo vai dar tudo a todos de maneira a garantir a aprovação do orçamento (...). O nosso receio é esse: que entremos num ambiente de eleitoralismo", afirmou, deixando um apelo direto a António Costa. "Senhor primeiro-ministro, é muito cedo para entrarmos em ambiente de eleitoralismo. Eleitoralismo agora é retirar da discussão do Orçamento do Estado todo o sentido de rigor e responsabilidade que deve ter essa discussão, não faça isso", apelou, considerando que tal irá "arrastar os partidos da oposição para um discurso igualmente eleitoral".

Como exemplos, o líder parlamentar apontou os prometidos aumentos nos orçamentos para a Cultura e para a Ciência, "aumentos para os funcionários públicos", bem como os incentivos fiscais aos emigrantes que regressem a Portugal, mas apenas aos que saíram do país durante o período da 'troika', quando Portugal foi governado por PSD/CDS-PP. "Quer dividir os jovens portugueses? E os que cá estão?", questionou Negrão.

Acusando o atual Governo de "ocupar os três primeiros lugares do pódio no campeonato das cativações" - 2016, 2017 e este ano -, o líder parlamentar do PSD considerou que o executivo só "promete tudo" porque sabe que poderá não executar depois toda a despesa orçamentada, com consequências na qualidade dos serviços públicos.

"Quem tem destruído o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública e os transportes públicos têm sido o PS, o PCP e o BE", acusou Negrão, considerando que são "os mais pobres os mais prejudicados" com esta estratégia. Fernando Negrão atacou os parceiros do Governo pelo silêncio perante as cativações nos serviços públicos, classificando o PCP como "um partido parado no tempo" e o BE como "uma máquina de propaganda bem oleada" com "um tique teatral".

Na sessão de abertura da Universidade de Verão, o presidente do Instituto Sá Carneiro, Alves Monteiro, anunciou que irá em breve defender numa reunião com as distritais do PSD uma maior descentralização das atividades deste organismo e fez uma defesa do conceito das Parcerias Público-Privadas (PPP), considerando que o que é criticável é a forma como foram negociadas ao longo do tempo.

"Desvirtuou-se completamente o que é o conceito das PPP, quem me dera a mim que precisasse de realizar uma função pública e aparecessem investidores dispostos a investir e a correr o risco", defendeu o antigo secretário de Estado da Indústria de Cavaco Silva entre 89 e 95.

A Universidade de Verão do PSD, organização conjunta com o Instituto Francisco Sá Carneiro, JSD e Partido Popular Europeu, é uma iniciativa de formação política de jovens quadros, que tem este ano a sua 16.ª edição e será encerrada no domingo pelo presidente do partido, Rui Rio.