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Política

Catarina Martins vai marcar 'rentrée' do Bloco com o aumento dos salários e das pensões

A coordenadora do Bloco de Esquerda encerra hoje o Fórum Socialismo 2018, que marca a rentrée política do partido, com uma intervenção que deverá ser focada no Orçamento de Estado para 2019 que está a ser negociado entre o Governo e os parceiros de esquerda

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), vai encerrar este domingo o Fórum Socialismo 2018, que marca a 'rentrée' política do partido, com uma intervenção que deverá ser focada no Orçamento de Estado para 2019 e nos resultados da economia.

O Fórum Socialismo começou na sexta-feira, 31 de agosto, em Leiria, e promoveu cerca de 50 debates sobre diversos temas que habitualmente estão na agenda política do BE, juntando mais de 400 pessoas.

O discurso de hoje à tarde de Catarina Martins, previsto para as 17h30, é o momento político mais aguardado do Fórum Socialismo 2018, devendo marcar o tom para a reta final da atual legislatura numa altura em que o Orçamento do Estado para 2019 está a ser negociado entre Governo e parceiros de esquerda.

Fonte do BE adiantou avança alguns temas que deverão constar da intervenção de Catarina Martins, que será centrada no atual contexto e nas opções que se colocam no ano político que agora se inicia.

"O Bloco de Esquerda tem defendido, desde o início da legislatura, que o aumento dos salários e pensões é imprescindível para colocar a economia a crescer e para uma consolidação sustentável das contas públicas. Sabemos hoje que o contributo do mercado interno trouxe mais crescimento e mais consolidação", recorda.

A mesma fonte adiantou também que "o próximo Orçamento do Estado, o último desta legislatura, deverá ser capaz de traduzir o crescimento na vida das pessoas, garantindo, por exemplo, o aumento dos salários e das pensões, a redução da fatura da luz ou o necessário investimento em serviços públicos".

Louçã traz ao debate "a democracia líquida e a estratégia matrioska"

No entanto, antes do discurso da líder do partido há tempo ainda para dezenas de painéis, sendo uma das novidades a presença do músico e compositor José Mário Branco, num espaço intitulado "No canto não há neutralidade", agendado para as 16h00, mesmo antes do encerramento.

O antigo coordenador do BE, Francisco Louçã, também volta a marcar presença nesta iniciativa, promovendo um debate intitulado "A democracia líquida e a estratégia matrioska: será que os russos determinam as eleições por todo o lado?".

Antes do período de férias, o BE viveu um momento conturbado com a demissão do ex-vereador bloquista na Câmara de Lisboa, Ricardo Robles, na sequência de uma notícia segundo a qual, em 2014, o autarca adquiriu um prédio em Alfama por 347 mil euros, que foi reabilitado e posto à venda em 2017, avaliado em 5,7 milhões de euros.

Em entrevista à SIC a 31 de julho, a coordenadora bloquista assumiu que "houve um erro de análise da direção política do BE" sobre o caso de Ricardo Robles, uma vez que a contradição criaria um "entrave quotidiano" ao trabalho como vereador em Lisboa.

O ano passado, no encerramento desta mesma iniciativa, a líder bloquista avisou então que a discussão do Orçamento do Estado para 2018 seria sobre escolhas e não restrições, sublinhando que o BE recusaria "gerir o que já foi feito" porque queriam "fazer o que falta".

"Nós não vamos gerir o que já foi feito, vamos fazer o que falta fazer e o que nos comprometemos a fazer quando fizemos os acordos em novembro de 2015", afirmou então Catarina Martins.
Outro dos pontos fortes do discurso de rentrée de 2017 foi a exigência que os 11 mil professores contratados precariamente pelas escolas todos os anos fossem vinculados até ao final da atual legislatura.