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Assunção Cristas responsabiliza António Costa por "colapso dos serviços públicos"

Manuel de Almeida/Lusa

"O responsável máximo pela degradação dos serviços públicos, pela degradação na saúde, agora pela quebra no investimento público, a degradação na ferrovia e dos comboios, tem um nome, chama-se António Costa e é primeiro-ministro", disse a líder dos centristas, Assunção Cristas

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, defendeu esta quarta-feira que o país vive um "colapso dos serviços públicos", especialmente patente na saúde e transportes, responsabilizando diretamente o primeiro-ministro pela situação.

"O responsável máximo pela degradação dos serviços públicos, pela degradação na saúde, agora pela quebra no investimento público, a degradação na ferrovia e dos comboios, tem um nome, chama-se António Costa e é primeiro-ministro", afirmou Assunção Cristas, em conferência de imprensa, na sede do CDS-PP, em Lisboa.

A líder centrista convocou uma reunião da comissão executiva do partido, o órgão restrito de direção, para "avaliar o colapso dos serviços públicos", antes de partir para o Algarve de comboio. Questionada sobre um eventual pedido de demissão dos ministros da Saúde e do Planeamento, Assunção Cristas responsabilizou diretamente António Costa: "Todos os outros [ministros] são coadjutores nesta responsabilidade política máxima, que é do primeiro-ministro".

"Faz orçamentos que procuram agradar, executa orçamentos que só agradam a Mário Centeno [ministro das Finanças] e, certamente, a Bruxelas, tão diabolizada noutros tempos pelo PCP e pelo BE", defendeu. Assunção Cristas salientou ainda que António Costa "optou por governar com as esquerdas encostadas, governar com as esquerdas radicais, para fazer os seus jogos e manter-se no poder, mesmo sabendo que isso poderia significar um sacrifício à mesa do Orçamento por parte de muitos setores de serviços públicos no nosso país".

"O CDS já propôs uma moção de censura ao Governo. Essa moção de censura foi por uma razão muito específica [incêndios de 2017], mas posso dizer que não mudámos de opinião em relação a este Governo", declarou.

A presidente centrista desafiou ainda o Governo a dar explicações sobre a situação nos serviços públicos, admitindo pedir uma reunião da comissão permanente da Assembleia da República ainda em agosto, caso esses esclarecimentos não forem dados, "porque as situações de urgência não podem esperar por setembro"."Instamos o Governo, já agora o senhor primeiro-ministro, que veio falar sobre incêndios, que dê explicações sobre este colapso dos serviços públicos, que dê explicações sobre a quebra imensa de investimento público e o plano de ação que tem de apresentar para recuperar um atraso evidente", declarou.

Para o CDS-PP, acrescentou, "este colapso dos serviços públicos está diretamente ligado com as opções do Governo das esquerdas encostadas, com as suas opções, que colocaram as pessoas em último lugar e privilegiaram outras prioridades políticas". "Perante este caos, na saúde, o colapso dos serviços públicos nos comboios, a questão da linha de emergência, também a questão dos incêndios, a pergunta que se impõe é: Onde é que está o Governo? Onde está o ministro do Planeamento? A última vez que o ouvimos foi a falar de uns tais quilómetros de linha que não existem", questionou.

"Onde estão o PCP e o BE? Os apoiantes deste Governo e grandes defensores dos serviços públicos quando os serviços públicos têm um grande colapso, remetem-se ao silêncio. Estão absolutamente calados, o que mostra bem o seu discurso contraditório e de grande hipocrisia política", acusou.

Depois da reunião da comissão executiva e da conferência de imprensa, Assunção Cristas regressou ao Algarve de comboio e partiu, sozinha, da estação de Entrecampos, às 14:15, já com cinco minutos de atraso relativamente ao horário, levando apenas o livro "A Ira de Deus sobre a Europa", de José Rentes de Carvalho.

Antes de entrar na carruagem, a líder do CDS-PP fez um depoimento em vídeo, a um dos seus assessores, em que afirmou querer ter a experiência e verificar as condições em que os portugueses viajam de comboio. Antes, na sede do partido, disse aos jornalistas que, tendo deixado a família no Algarve de férias, regressar de comboio seria "a maneira mais barata" de fazer a viagem sozinha.

"Acho que é sempre bom quando falamos das coisas poder vivê-las na primeira pessoa. Farei também essa viagem para poder atestar de todas as notícias que nos vão chegando e que nós vamos lendo e ouvindo através da comunicação social e das redes sociais", explicou. Assunção Cristas disse que a viagem "calhou bem": "Não forçaria a viagem não sendo oportuno. Sendo oportuno, acho que é uma boa forma de também experienciar na primeira pessoa a ida para o Algarve. Espero que o ar condicionado esteja a funcionar", disse.