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António Costa diz que “Monchique é a exceção que confirma a regra do sucesso” mas o incêndio “pode agravar-se”

TIAGO MIRANDA

Num balanço feito a propósito do incêndio que lavra há vários dias, o primeiro-ministro afirmou que “não vale a pena alimentar a ilusão de que o fogo vai ser apagado nas próximas horas”, mas sublinhou que “são muito claros” os sinais que confirmam a capacidade de “previsão” e resposta: “o conjunto de instituições que têm de responder, responderam”

A propósito do incêndio que lavra há vários dias em Monchique, António Costa afirmou esta quarta-feira que “não vale a pena alimentar a ilusão de que o fogo vai ser apagado nas próximas horas” antes pelo contrário, "deverá, aliás, agravar", disse o primeiro-ministro que, no entanto, recusou que esta ocorrência seja usada como prova de que a prevenção não funcionou em Portugal ou que sirva como exemplo da falta de capacidade do país para lidar com a situação.

Pelo contrário, a partir das instalações da Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide, o primeiro-ministro sublinhou que “são muito claros” os sinais que confirmam a capacidade de “previsão” e resposta do país: “o conjunto de instituições que têm de responder, responderam”.

Costa frisou que “é cedo para fazer um balanço”, mas considerou que “perante a gravidade deste incêndio, sem prevenção seguramente ele hoje teria uma dimensão muito superior”.

Depois da publicação no Twitter na segunda-feira, esta foi a primeira vez que António Costa falou publicamente sobre o incêndio de Monchique, que deflagrou na sexta-feira. Este incêndio, acrescentou, "foi a exceção que confirmou a regra do sucesso da operação ao longo destes dias".
A exceção do fogo de Monchique, que não foi apagado como os outros 26 grandes incêndios desta vaga de calor, aconteceu "por circunstâncias próprias", que têm a ver com o terreno, o clima, o tipo de floresta e "outros fatores que no final poderão ser apurados", referiu o primeiro-ministro.

"O facto de ao fim de cinco dias de incêndio felizmente não termos nenhuma vida a lamentar, termos um número reduzido de feridos e termos incerto o número de construção afetadas, significa que a execução do plano e as suas prioridades tem vindo a ser seguida", elogiou, deixando uma "palavra de confiança no trabalho da Proteção Civil".

Antes mesmo de fazer este balanço, Costa deixou uma palavra de agradecimento pelo “enorme trabalho” feito pelos portugueses ao longo dos meses que antecederam esta vaga de calor, e destacou “o particular cuidado com que têm seguido as indicações das autoridades para reduzir o risco”. O primeiro-ministro elogiou a “tranquilidade e civismo” com que as povoações “têm vivido estas horas de aflição” e deixou uma palavra de confiança às forças da proteção civil, elogiando o “profissionalismo” de todos os que estão “empenhados na resposta e prevenção desta ameaça”, incluindo os presidentes de Câmara.

Ao referir que “as janelas de oportunidade para o combate efetivo das chamas em Monchique são limitadas”, Costa insistiu que “esta é uma operação que vai decorrer nos próximos dias”.

Quando as chamas se alargam e atingem uma ocorrência desta dimensão, disse, “são precisos muitos dias de trabalho para o fogo poder ser totalmente extinto”. Daí o comando “ter sido elevado para o nível nacional”, acrescentou, justificando assim a transferência das operações em Monchique, que até então estavam a cargo do comandante operacional distrital de Faro, Vítor Vaz Pinto.