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Pedro Santana Lopes despede-se dos militantes do PSD com uma carta. E desta vez quer mesmo criar um partido

MIGUEL A. LOPES

Pedro Santana Lopes está de saída do PSD e escreveu uma carta aos militantes a explicar porque é que decidiu abandonar a militância dos sociais-democratas, a sua casa de sempre. O jornal "Observador" teve acesso à missiva que será revelada na integra este sábado

Pedro Santana Lopes está mesmo de saída do PSD, já se sabia, e já o comunicou ao líder do partido, Rui Rio, e ao secretário-geral, José Silvano. Quer criar um partido - desejo que confessou, pela primeira-vez, em 1996, ou seja, há 22 anos.

O conteúdo integral da carta que escreveu aos militantes sociais democratas na hora da despedida só será conhecido no sábado mas, ao “Observador”, Pedro Santana Lopes revelou alguns parágrafos.

“Entendo (…) que não faz sentido continuar numa organização política só porque lá estamos há muito, ou porque em tempos alcançamos vitórias e concretizações extraordinárias se, no passado e no tempo que importa, no tempo presente, não conseguimos fazer vingar ideias e propostas que consideramos cruciais para o bem do nosso País”, escreve o ex-líder do PSD citado pelo “Observador”.

Ao longo do tempo, escreve também, foi dando ideias das quais, “o PSD nunca quis saber”. A desertificação do interior, a Política Agrícola Comum, ou nas críticas ao poder “discricionário” de demissão do governo atribuído ao Presidente da República são alguns dos temas que Santana Lopes escolhe para explicar porque é que prefere agora outros caminhos para fazer política. “Certas? Erradas? Por mim, defendo com convicção que estão certas e está mais do que provado que dentro do PSD não merecem acolhimento”, escreve.

E se fica à mostra a cicatriz em relação à dissolução do seu governo pelo então Presidente Jorge Sampaio, também em relação ao presente parece haver ainda algumas feridas por sarar. Santana Lopes não poupa Rui Rio: critica-lhe o “pensamento económico ortodoxo” e avisa os eleitores para a “aproximação ao PS”. “Vinha aí uma estratégia de condescendência para com o PS, para mim, um erro grave. Disse, e repeti, que os militantes deveriam rejeitar a via que, de modo mais ou menos explícito, admitia o Bloco Central”, escreve Santana Lopes

O “Observador” reproduz também uma primeira página do semanário “O Independente” de há 22 anos, com Santana Lopes na capa, num registo que não é muito diferente daquele que caracterizou artigos que foram sendo escritos em julho de 2018 sobre a mesma matéria. Em agosto de 1996, o agora ex-militante do PSD estava desiludido com a liderança do partido, na altura a cargo de Marcelo Rebelo de Sousa, e também não se identifica agora com a de Rui Rio que, de resto, enfrentou na luta pela liderança do partido - perdendo-a.

Quanto ao novo partido, Pedro Santana Lopes diz ao diário que até gosta da ideia de um Partido Social-Liberal mas não quer que a sigla se traduza no seu próprio nome. Formalidades à parte, o ex-primeiro-ministro diz que não quer um partido que pactue com “a agenda moral da esquerda”, dando como exemplo a liberdade de voto facultada por Rui Rio aos deputados do partido na votação sobre a eutanásia. “O caminho que estou a seguir, sem me resignar, é o que me faz estar bem com a consciência”, completa.