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PCP quer resposta do Governo à supressão do Alfa Pendular Lisboa-Porto das 6h09

Deputados do PCP exigem que ministro do Planeamento e das Infraestruturas explique as razões da eliminação da primeira ligação ferroviária do dia entre Lisboa e Porto, a partir de 5 de agosto. Gabinete de Pedro Marques afirma que não há supressão de oferta mas alteração de horário ditada pela lei da procura

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Jorge Machado, Ângela Moreira e Diana Ferreira querem que o Ministério do Planeamento e Infraestruturas explique que medidas vai tomar para contrariar a supressão da ligação das 6h09 entre Lisboa e Porto, “fundamental para quem se desloca em trabalho chegar ao destino pelas 8h44”. Para o deputado eleito pelo círculo do Porto, a solução oferecida pela CP - um comboio Intercidades com partida de Lisboa às 6h30 e chegada ao Porto pelas 9h46 - “não é uma alternativa, ao afetar a mobilidade dos trabalhadores que têm de cumprir horários ou seguem viagem para outros pontos da região norte” por diversas razões, entre as quais de saúde.

Na missiva parlamentar enviada a Pedro Marques, os deputados comunistas alegam que a CP deteriora o serviço de passageiros de “uma das principais ligações ferroviárias do país, em vez de apostas na qualidade, eficácia e rapidez”. Por entender que a “degradação da oferta CP” a partir de 5 de agosto entre as duas principais cidades do país não é aceitável, o Grupo Parlamentar do PCP exige ao Governo que, não só mantenha as ligações, “como até invista na maior frequência de serviços e rapidez da linha”.

Os eleitos do PCP alegam que o serviço do primeiro Alfa Pendular é uma opção para centenas de pessoas e uma alternativa “ao veículo pessoal e até ao avião, duas soluções com custos mais elevados para os utentes”, propostas numa altura “em que a ponte aérea sofre sistemáticos”. Na carta endereçada à tutela, os deputados comunistas questionam ainda “como é possível as ligações ferroviárias estarem piores do que há uns anos, depois dos milhões investidos na linha norte.

Tal como sustentam no documento entregue a Pedro Marques, Jorge Machado quer que o Governo justifique os crónicos atrasos do Alfa Pendular e como irá resolver o problema, “com implicações nas ligações, por exemplo a Braga ou Coimbra, onde milhares de pessoas se deslocam por motivos de saúde”.

O deputado adverte que os comboios Alfa Pendular estão longe de atingir o seu potencial máximo devido a limitações da linha norte, quer em termos de sobrelotação, quer em relação aos limites de velocidade permitida. “Por razões técnicas da linha, os tempos de viagem estão aquém do previsto, com durações a rondar as 3 h quando devia demorar no máximo 2h45. Não adianta ter sobre os carris um BMW numa linha para tratores, com troços a 200 km/hora, em vez de 230/240km, que colocaria a ligações entre Lisboa e Porto nas 2 horas”.

O Gabinete do ministro do Planeamento e Infraestruturas remete as explicações sobre o fim do Alfa madrugador para a CP, “dado não se tratar de uma questão de linha ou infraestruturas”. A CP recusa falar em supressão de ligação, referindo que se trata apenas de uma alteração horária e não menor oferta de viagens de longo curso.

Tal como avançou o Expresso, sábado, a CP justifica a mudança horária com um ajuste da capacidade instalada às “efetivas necessidades de procura”, referindo a empresa pública que o primeiro Alfa Pendular Lisboa-Porto é o que regista menor procura - “-46% do que a média dos comboios alfa pendulares e a mais baixa taxa de ocupação ao longo do percurso, uma vez que a sua partida ocorre muito cedo, motivo pelo qual uma parte significativa dos clientes viaja apenas no troço Coimbra B - Porto Campanhã”.

A argumentação da CP não convence o deputado, que diz que a mera lógica da lei da oferta e da procura não se pode aplicar aos transportes públicos, por ter forte impacto na vida dos cidadãos e na atividade laboral e económica do país.