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CDS exige demissão do CEME e chama ministro ao Parlamento

MIGUEL A. LOPES/Lusa

Os democratas-cristãos pediram esta terça-feira a demissão de Rovisco Duarte, Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), depois de uma audição parlamentar que o CDS considerou "contraditória". O partido pede ainda a audição parlamentar do ministro da Defesa, mas adia decisão sobre comissão de inquérito ao caso "Tancos".

O CDS acredita que Rovisco Duarte, Chefe de Estado-Maior do Exército, não tem condições para se manter no cargo, depois de ter sido ouvido em audição parlamentar na Comissão de Defesa. Para os democratas-cristãos, o general não foi capaz de esclarecer cabalmente se há ou não material militar em falta relativo aos paióis de Tancos, nem de explicar as contradições sobre as alegadas discrepâncias.

Em declarações aos jornalistas no final da audição parlamentar de Rovisco Duarte, António Carlos Monteiro, deputado do CDS, afirmou que o CEME não foi capaz de garantir, à semelhança do que tinham feito ministro da Defesa e primeiro-ministro, que não existe material militar desaparecido.

"[Há uma] contradição evidente entre as garantias que foram dadas ao povo português e alguém que diz aqui que não pode dar essa garantia", sublinhou o deputado do CDS.

Há 15 dias, Azeredo Lopes foi taxativo no Parlamento ao ser informado de que não tinha sido informado dessa alegada discrepância. Esta terça-feira, Rovisco Duarte acabou por reconhecer que o Exército não pode dar garantias de que o "material recuperado" na região da Chamusca corresponde ao "material roubado" em Tancos.

Durante a audição, Rovisco Duarte deixou escapar um desabafo. "Com toda a frontalidade, não sei o que estou aqui a fazer", referindo-se ao facto de, no seu entender, não existirem informações novas ou dados relevantes que justificassem a sua audição. António Carlos Monteiro não deixou passar a frase em claro: "É exatamente esse o problema. [Rovisco Duarte] não tem condições para continuar no cargo".

O partido liderado por Assunção Cristas pediu ainda a "audição com carácter de urgência" de Azeredo Lopes, ainda que não se tenham comprometido com datas -- os trabalhos parlamentares vão parar para férias.

E há mais: o CDS pediu a Marco António Costa, aqui na qualidade de presidente da Comissão de Defesa, para esclarecer junto do Ministério Público se os deputados podem ou não ter acesso à listagem do material recuperado, ou se o documento está, como alegou Rovisco Duarte, sob segredo de justiça.

Comissão de inquérito em suspenso

O CDS não confirmou, no entanto, se vai avançar para uma comissão parlamentar de inquérito, reservando essa decisão para um momento posterior.

Também o PSD vai ainda "analisar com detalhe" todo o processo, tendo em vista essa decisão, segundo informou aos jornalistas o deputado Pedro Roque. Para o social-democrata, as audições mostraram que "havia mais dúvidas" e que o "processo está longe de estar encerrado".

Os socialistas, por sua vez, deram por encerrado o assunto, considerando que "nada se adiantou", como sublinhou Ascenso Simões, coordenador para a área da Defesa do grupo parlamentar do PS. Para os socialistas, não houve nada de relevante, nem nada de novo.

"Ficou aqui provado que não há nenhuma circunstância a pôr em causa a segurança a nacional. O CDS entendeu levar por diante estas audições e, no final do dia, não há sequer nenhum elemento a acrescentar a tudo aquilo que foi dito nos últimos meses", concluiu o socialista.

Em atualização