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Manuel Grilo substitui Ricardo Robles na Câmara de Lisboa

A decisão foi tomada na noite desta segunda-feira numa reunião da Comissão Política do Bloco de Esquerda

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Ricardo Robles, que se demitiu do cargo de vereador da Câmara de Lisboa na sequência da polémica em torno de um imóvel de que é proprietário na zona de Alfama, em Lisboa, já tem substituto. Manuel Grilo, número três na lista do Bloco de Esquerda para a autarquia da capital, vai substitui-lo no cargo.

Esperava-se que fosse Rita Silva, segunda na lista eleitoral do partido, a assumir as funções de Ricardo Robles, mas esta terá “manifestado a sua indisponibilidade para assumir o cargo, tendo em conta as responsabilidades dirigentes que tem num movimento social e que considera incompatíveis com o exercício do cargo de vereadora”, lê-se no comunicado enviado pelo BE às redações.

Assim, será Manuel Grilo a “dar continuidade às responsabilidades executivas que o Bloco de Esquerda tem na Câmara Municipal de Lisboa, no quadro do acordo político celebrado entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista”, acrescenta o comunicado. A decisão foi tomada na noite desta segunda-feira numa reunião da Comissão Política do Bloco de Esquerda.

Da nota constam ainda alguns dados sobre Manuel Grilo, que é professor e membro do Conselho Nacional de Educação e, durante vários anos, foi dirigente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, membro do secretariado nacional da Fenprof e do Conselho Nacional da CGTP. Abandonou o ensino em 2016, passando nessa altura a desempenhar funções de assessoria ao grupo parlamentar do Bloco de Esquerda na área da Educação.

Ricardo Robles, o seu antecessor, demitiu-se do cargo depois da polémica em torno de um imóvel seu em Alfama. Segundo o “Jornal Económico”, o autarca adquiriu à Segurança Social, em 2014, um prédio naquela zona da capital por 347 mil euros, imóvel que foi reabilitado e posto à venda em 2017, avaliado em 5,7 milhões de euros.

O antigo vereador do BE justificou a venda alegando “razões familiares” e afirmou que a avaliação do prédio foi feita por uma agência imobiliária “que o teve à venda por seis meses até abril”. Também negou quaisquer despejos - como chegou a ser avançado - e garantiu ter chegado a acordo com quase todos os inquilinos para terminar os contratos de arrendamento. Atuei sempre em coerência com aquilo que defendo para a cidade”, disse Robles na conferência de imprensa de sexta-feira passada, acrescentando ainda ter tomado a decisão de colocar o imóvel “em propriedade horizontal, de forma a poder dividir as frações” com a irmã. “Não venderei as minha parte do imóvel e colocarei as minhas frações no mercado de arrendamento”, afirmou.