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PSD e CDS querem esclarecimentos do MAI sobre novas viaturas da GNR

O PSD pediu neste sábado ao Governo esclarecimentos sobre o registo de anomalias nas viaturas de combate a incêndios da GNR (notícia dada pelo Expresso), avançando que tal situação também se verifica em carros novos da Força Especial de Bombeiros. Também o CDS tomou idêntica iniciativa. Tanto o Governo como a GNR negam "anomalias", mas ao mesmo tempo reconhecem que estão a ser feitas "melhorias"

"O PSD quer que o ministro Eduardo Cabrita venha esclarecer tudo. Vamos incluir um conjunto de perguntas ao Governo sobre esta matéria e queremos saber qual o ponto de situação destas viaturas e qual a sua capacidade", disse à agência Lusa o deputado do PSD Duarte Marques.

A iniciativa dos sociais-democratas surge na sequência da notícia da edição impressa deste sábado do Expresso: dezenas das novas viaturas ligeiras ao serviço do Grupo de Intervenção, Proteção e Socorro (GIPS) da GNR foram equipadas com motobombas com pressão inferior ao que estava determinado. Esta situação impede o combate ao fogo nas condições ideais e expõe os militares a mais perigo.

Além da questão suscitada pelo Expresso, o deputado do PSD adiantou à Lusa que também viaturas novas entregues à Força Especial de Bombeiros (FEB) mostraram problemas.

Duarte Marques acrescenta que os veículos fornecidos às duas unidades especializadas de combate a incêndios foram entregues a 13 de julho, na Pampilhosa da Serra, pelo primeiro-ministro, António Costa.

Horas depois, o CDS-PP, pela voz do líder parlamentar, Nuno Magalhães, anunciou que vai pedir esclarecimentos ao MAI sobre a prontidão e segurança dos novos veículos. Os centristas consideram "graves e preocupantes" as anomalias, dizendo que elas são "mais uma prova da forma incompetente" como o Governo geriu esta época de fogos, disse Nuno Magalhães à agência Lusa.

O deputado acrescenta ainda que "o Governo falhou todos os prazos" e "compromissos em matéria de aquisição e prontidão do material".

Ao exigir ao Governo uma "resposta clara e cabal, Nuno Magalhães afirmou à Lusa que "o ministro não se deve esconder numa nota de imprensa". Para o líder parlamentar do CDS, "o ministro deve falar ao país, esclarecer se realmente estes veículos estão ou não prontos para o combate, e se são ou não seguros para os elementos da GNR", sustentou ainda

MAI e GNR com duas leituras

Entretanto, o MAI divulgou no início da manhã deste sábado um comunicado de imprensa, no qual diz que “não confirma qualquer anomalia nas viaturas”, que se encontram “plenamente operacionais”.

No entanto, a nota do MAI também acrescenta que “todas as necessidades e melhorias identificadas [estão] a ser supridas”.

Para o artigo publicado na edição impressa deste sábado, o Expresso contactou o MAI, ao qual enviou um conjunto de questões sobre as motobombas e outros aspetos que envolvem o GIPS. O gabinete do ministro Eduardo Cabrita endossou o ónus da resposta para a GNR, a cujo Comando Geral o Expresso remeteu o e-mail.

Só quase sete horas após a hora-limite solicitada para a resposta (e já com o artigo na gráfica), é que a GNR enviou um e-mail ao Expresso. Nele, ignorando a generalidade das questões colocadas (parte das quais, curiosamente, o comunicado de imprensa do MAI deste sábado vem abordar), a GNR diz que não foi “registado até ao momento qualquer anomalia nos veículos rececionados”.

Mas à semelhança do texto do Governo, o comando da corporação também afirma que “todas as necessidades e melhorias identificadas estão a ser supridas”.

Ora, não existindo “anomalias”, qual a razão de estarem a ser supridas “necessidades e melhorias”?

Texto atualizado às 16h53, com a posição do CDS