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Associação da GNR: “Ministério não fiscalizou o contrato” dos carros de combate a fogos

Elementos do GIPS, numa sessão de treino em Pombal

RAFAEL MARCHANTE/REUTERS

Para os representantes dos militares da GNR, o Governo nega as anomalias em motobombas de veículos novos de combate a incêndios porque se o reconhecesse “estaria a assumir que não fiscalizou o contrato”

"Sabemos o porquê de o ministério vir contradizer as denúncias das anomalias [em viaturas ligeiras de combate a fogos entregues à GNR]: o ministério estaria a assumir que não fiscalizou o contrato, que é uma responsabilidade sua”, disse na tarde deste sábado, à RTP3, o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), César Nogueira.

Na entrevista, o dirigente da APG reafirmou o que já revelara ao Expresso: há viaturas novas, fornecidas há semanas à subunidade da GNR que combate os fogos (o GIPS, Grupo de Intervenção, Proteção e Socorrro), que foram entregues com uma motobomba com pressão inferior à exigida.

Ou seja, tendo a bomba uma pressão abaixo do esperado, a água que sai da mangueira atinge uma distância menor do que o previsto, e com menos força. Quando foi detetato o problema, já os veículos estavam nas mãos do GIPS, o comando desta subunidade da GNR determinou que os veículos ficassem recolhidos, até à substituição da bomba.

“Algumas das viaturas ainda não têm ordem para circular”, disse César Nogueira à RTP3, contestando assim a nota do ministério da Administração Interna (MAI) que garante estarem “todas as viaturas plenamente operacionais”.

“Há carros parados até nova ordem”, reiterou o presidente da APG, a principal associação sindical da GNR. Segundo César Nogueira, entre as viaturas que tinham a motobomba com defeito, “oito ainda estão imobilizadas”.

As declarações do presidente da associação foram prestadas após o MAI ter dito na manhã deste sábado que "não confirma qualquer anomalia nas viaturas".

O fornecimento de 80 veículos ligeiros de combate a incêndios (na prática, são normais carrinhas "pick up" às quais, além da motobomba, é acoplado um depósito de água de 500 litros) implicou um investimento de 2,2 milhões de euros. Os primeiros 20 veículos ligeiros foram entregues ao GIPS da GNR no dia 3 de julho, ante a presença do secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves.

No comunicado de imprensa deste sábado, o MAI afirma que "os contratos das viaturas do GIPS são celebrados entre a GNR e fornecedores, e não pela Autoridade Nacional de Proteção Civil".

Ainda segundo o Governo, "os contratos prevêem penalidades para situações de incumprimento".

  • O PSD pediu neste sábado ao Governo esclarecimentos sobre o registo de anomalias nas viaturas de combate a incêndios da GNR (notícia dada pelo Expresso), avançando que tal situação também se verifica em carros novos da Força Especial de Bombeiros. Também o CDS tomou idêntica iniciativa. Tanto o Governo como a GNR negam "anomalias", mas ao mesmo tempo reconhecem que estão a ser feitas "melhorias"