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Luís Montenegro. “Há uma ideia de derrotismo do lado do PSD”

MIGUEL A. LOPES

Em entrevista à SIC Notícias, o ex-líder parlamentar do PSD acusou Rui Rio de ser responsável pelo clima de derrota antecipada que tomou o partido e desafiou o líder social-democrata a “arrepiar caminho”

Um dia depois de uma entrevista pouco conclusiva de Rui Rio, Luís Montenegro surgiu em cena com vontade, assumida pelo próprio, de “espicaçar” o presidente do partido. E se não conseguir espicaçar, não será por falta de tentativa: das “contradições” da direção do partido às alianças com o PS, o antigo líder parlamentar do PSD teceu duras críticas à gestão política de Rui Rio, acusando-o de estar preso a “uma ideia injustificada de derrotismo”.

Em entrevista à SIC Notícias, a sombra de Rio desde o último congresso do PSD chegou mesmo a desafiar o líder social-democrata a “arrepiar caminho” para acabar com a ideia de que a vitória do PS nas próximas legislativas é uma inevitabilidade. “Instalou-se em Portugal uma dúvida que é saber se o PS tem ou não a maioria absoluta. Isso é um erro absoluto”, afirmou.

Para Montenegro, a notória a dificuldade de Rui Rio em definir uma “estratégia diferenciadora” ou até em dar provas de “unidade” interna do partido (uma referência direta às sucessivas contradições entre grupo parlamentar e direção do partido ou mesmo entre dirigentes próximos de Rui Rio), têm contribuindo para esse clima de derrota antecipada que contaminou o PSD.

Segundo o ex-deputado do PSD, o partido está hoje mais preocupado em demonstrar disponibilidade para se entender com o PS em matérias como a descentralização (“que hoje praticamente ninguém apoia”) ou nos fundos comunitários (“um acordo poucochinho”), do que em fazer oposição a António Costa. E isso tem custos, avisa Montenegro: “Temos deixado o primeiro-ministro à solta. Cometeríamos um erro político enorme se formos percecionados como uma muleta do PS”.

O pináculo dessa “ambiguidade” que, diz Montenegro, tomou conta do PSD, é o “tabu” em torno o Orçamento do Estado para 2019. “Por que carga de água havia o PSD de aprovar este Orçamento? Não vem nenhum mal ao mundo em dizer a verdade aos portugueses”, chegou a dizer.

Mantendo ele próprio o tabu em relação a uma eventual disputa pela liderança do PSD num horizonte próximo (“estou aqui para ajudar o partido”, foi repetindo, como mantra), Montenegro afastou a hipótese de exigir a cabeça de Rui Rio ainda antes das eleições legislativas. “Não me parece que possa haver congresso extraordinário antes das legislativas, nem acho que deva haver uma mudança de líder do PSD”, descartou. Só num cenário: "só se houver o apoio político do PSD a um Governo do PS”, admitiu o ex-líder parlamentar, referindo-se à hipótese de Rio e Costa reeditarem um qualquer Bloco Central.

Coisa diferente é dizer que Rio não será julgado pelos resultados que conseguir nas eleições que se avizinham. Mesmo sem fazer depender a continuidade do líder à frente do partido de uma eventual derrota nas europeias, Montenegro colocou a fasquia bem alta: o PSD tem, no mínimo, de fazer melhor do que fez em 2013, quando ficou a 3% dos socialistas. Já as legislativas, essas, não há grande dúvida: são mesmo para ganhar. Dependendo da vontade de Luís Montenegro, só a partir daí é que se começará a discutir o futuro do partido. Resta saber se outros que querem desafiar Rio também terão vontade de esperar por esse momento.