Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

PSD Lisboa quer Sá Carneiro no Panteão

Sociais-democratas defendem que o fundador do PSD "dedicou a sua vida e perdeu-a, primeiro por Portugal e pelos portugueses, e só depois pelo seu partido". Proposta chega depois de PS e PSD terem assinado um projeto no Parlamento para trasladar restos mortais de Mário Soares

O PSD-Lisboa propõe que os restos mortais do fundador do partido, Francisco Sá Carneiro, sejam trasladados para o Panteão Nacional. Numa altura em que PS e PSD acabam de se pôr de acordo para pedir honras de Panteão para Mário Soares, são os sociais-democratas da concelhia de Lisboa a pedir o mesmo tratamento para Sá Carneiro.

Na proposta do PSD-Lisboa, enviada esta terça-feira às redações, pode ler-se que Sá Carneiro "dedicou a sua vida e perdeu-a, primeiro por Portugal e pelos portugueses, e só depois pelo seu partido", e lutou pelas causas da "liberdade, igualdade, solidariedade, justiça, democracia e dignidade da pessoa humana".

A biografia do político que serve de base à proposta lembra ainda o seu percurso político, particularmente a partir do momento em que fundou o que viria a ser o PSD, em 1974, ao lado de Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota. Sá Carneiro tornou-se assim o primeiro secretário-geral do PPD e depois o primeiro presidente do PSD, tendo desempenhado funções como deputado constituinte e como ministro adjunto no I Governo provisório após o 25 de abril.

Depois de formar a Aliança Democrática (AD), em 1979 - uma coligação entre o seu partido, o CDS, os monárquicos e o Movimento dos Reformadores - Sá Carneiro foi nomeado como primeiro-ministro. Mas viria a desempenhar o cargo durante menos de um ano: em 4 de dezembro de 1980, o avião em que se encontrava e que o levaria de Lisboa ao Porto para uma ação de campanha das eleições presidenciais desse ano despenhou-se na zona de Camarate.

A proposta assinada pela concelhia lisboeta do PSD segue-se ao projeto de resolução que os líderes parlamentares de PSD e PS, Fernando Negrão e Carlos César, apresentaram no início deste mês, no Parlamento, defendendo a transferência dos restos mortais de Mário Soares para o Panteão. Nesta proposta, assinada também pelos deputados socialistas Miranda Calha, Pedro Bacelar de Vasconcelos, Sérgio Sousa Pinto e Hortense Martins e pelo deputado social-democrata Duarte Pacheco, descreve-se Mário Soares como "a cara da nossa liberdade" e "um homem que fez História sabendo que a fazia e que sempre recusou demitir-se do futuro".

No caso de Mário Soares, e apesar de ter sido proposta pelos dois maiores partidos do Parlamento, a iniciativa terá de esperar por 2037: é que, no ano passado, a lei foi alterada e passou a estipular que a trasladação dos restos mortais para aquele monumento só pode acontecer vinte anos depois da morte, uma forma de travar uma onda de reivindicações provocada pelas recentes mortes de Eusébio e Sophia de Mello Breyner. A poetisa, falecida em 2004, foi trasladada em 2014, e o futebolista, que morreu em 2015, foi depositado no Panteão Nacional no ano seguinte. Quanto a Sá Carneiro, a regra não condiciona uma possível trasladação, uma vez que o fundador do PSD morreu há 38 anos.