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Política

Chegou ao fim a marca "Ivanka Trump"

Mark Wilson

A filha de Donald Trump, Ivanka Trump, vai fechar a sua marca de roupa e acessórios destinados a mulheres jovens porque se quer dedicar a tempo inteiro ao seu trabalho como uma das principais conselheiras da Casa Branca. As suspeitas de conflito de interesses, dizem os críticos, também terão pesado na sua decisão

Ivanka Trump, a filha mais velha de Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, vai acabar com a sua marca de roupa e acessórios mais de um ano após se ter afastado da administração da empresa. As encomendas não serão renovadas e os funcionários das lojas deverão começar já na próxima semana a abandonar os seus postos de trabalho, segundo um porta-voz de Ivanka Trump em declarações ao diário norte-americano “The New York Times”.

Em comunicado, a própria Ivanka Trump disse que, por não saber se regressaria ao seu antigo ramo de actividade, tinha decidido alienar o negócio por completo. “Depois de 17 meses em Washington eu não sei quando ou se algum dia voltarei ao meu negócio, mas sei que o meu foco, no futuro imediato, é no trabalho que estou a fazer em Washington, por isso esta decisão é a única justa para os meus sócios e para a minha equipa”, disse a atual conselheira da Casa Branca.

Mas as razões podem também ter que ver com os possíveis conflitos de interesses que surgiram logo que Trump apresentou a sua candidatura, dado o seu passado como empresário e proprietário de inúmeros interesses imobiliários. Apesar de Ivanka Trump sempre se ter tentando distanciar das acusações de conflito de interesses, mesmo retirando-se da chefia da sua empresa continuava a retirar da sua atividade dividendos económicos e a sua folha de rendimentos mostra que os seus ganhos diretos rondaram, em 2017, os cinco milhões de dólares.

Para o grupo de defesa da transparência na política Cidadãos para a Ética e Responsabilidade, este é um passo “admirável” na “direção certa”, mas “chega demasiado tarde”. Além de, segundo o grupo, oferecer a confirmação necessária que de facto haveria possibilidade de choque de interesses, coisa que alguns analistas e críticos de Trump tinham frisado logo desde o início da campanha.

Pouco depois das eleições, a marca de Ivanka utilizou a sua imagem no programa da CBS “60 minutos”, para promover uma pulseira de mais de dez mil dólares que ela usou na entrevista. Já quando a cadeia Nordstrom decidiu parar de vender a roupa da filha de Donald Trump por não concordar com algumas das decisões do pai (de quem ela é uma das principais conselheiras), Kellyanne Conway, assessora e consultora de Trump, utilizou uma das suas intervenções junto dos jornalistas para pedir aos espectadores que apoiassem a marca de Ivanka Trump.