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Marques Mendes diz que silêncio de Manuel Pinho confirma que ele tem “algo a esconder”

Marques Mendes qualificou a audição desta semana ao ex-ministro da Economia como “um dos momentos parlamentares mais deprimentes e degradantes” a que se lembra de ter assistido “nos últimos anos”, mas não só por causa de Manuel Pinho. Deputados também tiveram “culpa”

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Luís Marques Mendes recorre a um conhecido ditado popular para resumir a audiência de Manuel Pinho no Parlamento, esta semana. “Quem cala consente”, diz então o comentador, que não tem dúvidas de que a recusa do ex-ministro da Economia em responder às questões que lhe foram colocadas pelos deputados sobre as suas ligações ao universo BES/GES confirma que ele tem “algo a esconder”. “Se ele tivesse tudo clarinho, já se tinha explicado”, acrescenta.

À semelhança de Carlos César, líder do grupo parlamentar do PS, Marques Mendes critica a forma “arrogante e sobranceira, prova de uma enorme falta de cultura democrática”, como o ex-ministro falou com os deputados, notando que “já não é a primeira vez que ele tem um comportamento muito censurável na Assembleia da República”. Enquanto suspeito num processo-crime, “Manuel Pinho tem o direito de não falar, mas enquanto ex-ministro, tem a responsabilidade política de falar”, afirmou no seu habitual espaço de comentário semanal no "Jornal da Noite" da SIC.

Foi, portanto, um “momento parlamentar deprimente e degradante”, dos mais “degradantes” a que Marques Mendes diz ter assistido “nos últimos anos”, mas não apenas por causa de Manuel Pinho. Também os deputados tiveram culpa, desde logo porque não deveriam ter feito qualquer acordo com o ex-ministro que o ilibasse na teoria de responder a questões sobre as suas ligações ao GES ou sobre o seu património. “Se Manuel Pinho não queria falar sobre o assunto, não ia.”

É também com maus olhos que Luís Marques Mendes diz ver o recuo do CDS e do PSD no pedido de um inquérito parlamentar a Tancos. Isto porque há vários aspectos que tornam prioritária esta comissão, a começar desde logo pela “existência de uma suspeita de que há alguém dentro da instituição militar a querer encobrir este crime”. O comentador revelou ainda que, cerca de três meses antes do assalto a Tancos, a Polícia Judiciária e a Polícia Judiciária Militar receberam uma denúncia anónima sobre a preparação do assalto. “Nunca deram conhecimento dessa informação ao Exército, pois que se tivessem dado talvez isto pudesse ter sido evitado.” O Expresso avançou na semana passada que ainda estará por recuperar uma parte do material militar roubado há um ano e Marques Mendes não entende como é que isto poderá ter acontecido. “Não há um inventário? Não sabem a quantas andam?”, questionou, considerando que a “falta de transparência fragiliza e enfraquece as Forças Armadas”.

Sobre a aprovação à alteração às leis laborais, Luís Marques Mendes diz não ter visto com surpresa a abstenção do PSD e o chumbo dos partidos da esquerda. “Isso só prova aquilo que tenho vindo a dizer aqui — que o PS, BE e o PCP não se entendem em nenhuma matéria essencial. Não se entendem nas leis laborais, na descentralização, nas questões financeiras, na saúde, na segurança social, na Europa, em nada.” Fica também provado, acrescentou o comentador, que “não voltará a haver geringonça depois de 2019”.

Desenganem-se, portanto, todos aqueles que viram nas palavras do líder parlamentar do PCP, João Oliveira, em entrevista esta semana ao “Público”, um sinal de que será possível manter o atual compromisso com o PS além-legislativas. “Aquilo foi meramente uma manobra tática. O PCP sabe que a ideia de geringonça é popular na esquerda e não quer ser o mau da fita.” Por outro lado, “nunca poderia anunciar o fim desse compromisso antes das eleições porque isso iria condenar o voto do seu eleitorado a uma certa inutilidade, mas depois das eleições não vão assinar qualquer papel”, diz Marques Mendes.

Outro dos temas abordados no seu espaço de comentário na SIC, este domingo à noite, foi o da petição entregue no Parlamento que propõe residência alternativa como princípio a adotar em caso de divórcio, subscrita por mais de quatro mil pessoas. Marques Mendes aprova. “É um passo que damos no sentido de promover a igualdade de direitos e deveres entre pais e mães, uma vez que de modo geral os pais são discriminados, e no sentido de defender os interesses da criança.”