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Anfitrião de Rio na Guiné sob sanções internacionais

MANUEL FERNADO ARA\303\232JO

Florentino Pereira, que ajudou a organizar e acompanhou a visita de Rio à Guiné, é um dos seis políticos do PRS na “lista negra” internacional. Em resposta ao Expresso, Rio não deixa claro se sabia ou não das sanções

Em fevereiro deste ano, a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) anunciou sanções internacionais contra 19 políticos guineenses. As sanções incluem o congelamento de contas bancárias e ativos financeiros dos visados e respetivas famílias, bem como a proibição de viajar para o estrangeiro e a recusa de vistos (também neste caso, abrangendo esses políticos e os seus familiares). Entre as 19 personalidades desta “lista negra” estão seis dirigentes da cúpula do Partido da Renovação Social (PRS), incluindo o secretário-geral, Florentino Mendes Pereira. As sanções foram, pouco depois, apoiadas pela ONU, pela União Africana, e pela UE. O que não impediu que Florentino Pereira tenha sido o anfitrião de Rui Rio na viagem que o líder do PSD efetuou à Guiné-Bissau, em junho.

A viagem, que foi a primeira visita oficial de Rui Rio enquanto presidente do PSD a um país africano de língua oficial portuguesa, aconteceu na sequência de um convite da direção do PRS, o partido guineense com que os sociais-democratas têm relações mais próximas.

O Expresso questionou por escrito o PSD sobre se Rui Rio sabia que Florentino Pereira e outros cinco altos dirigentes do PRS estão numa "lista negra" da comunidade internacional, e perguntou também qual o significado político da audiência com a direção do PRS num momento em que vários desses dirigentes estão sob sanções internacionais - terá sido um ato de solidariedade com um partido amigo, demarcando-se das sanções que foram impostas à sua cúpula?

A resposta do PSD chegou já depois do fecho da edição do Expresso em papel. E pouco responde, apesar de ser longa. Sobretudo não fica claro se Rio sabia ou não das sanções internacionais que pendem sobre os dirigentes do PRS.

O gabinete de Rui Rio defende que "ao PSD compete relacionar-se de forma protocolar e institucional com os Estados e demais organismos, de acordo com as regras normais das relações politico diplomáticas". Nesse sentido, a resposta enumera os vários encontros que Rio manteve durante a viagem com responsáveis políticos do Estado guineense e representantes dos partidos com assento parlamentar, incluindo a direção do PSR.

"Não se enquadra na lógica das referidas regras procurar identificar antes de cada uma destas reuniões ( que juntaram dezenas de pessoas) se algum elemento tem sobre si pendente alguma averiguação ou sanção política", sublinha a resposta dos responsáveis social-democratas.

Maló de Abreu, o braço-direito de Rio na direção do PSD, que organizou a deslocação pelo lado dos sociais-democratas, disse ao Expresso que, do lado guineense, “foi o PRS que tratou de tudo”. E terá essa a razão pela qual Florentino Pereira participou em diversos momentos da agenda oficial de Rio, de acordo com fotografias e relatos publicados pela comunicação social de Bissau. Isto, além da audiência oficial de Rio com a direção do PRS, na qual estavam o secretário-geral assim outros dirigentes do partido que estão na “lista negra” internacional.

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