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Mariana, Adolfo e Carlos: os líderes do futuro

Mariana Mortágua, Adolfo Mesquita Nunes e Carlos Moedas, três políticos promissores que já têm ou poderão vir a ter um papel de liderança no panorama nacional

D.R.

Não admiram as mesmas pessoas, não partilham as mesmas ideias, nem sequer vestem as mesmas cores políticas. Mas têm um traço comum: foram escolhidos por uma multinacional de comunicação como os políticos a quem é preciso estar atento porque podem vir a definir o futuro do país

À primeira vista, parece mais o que os separa do que os une. Diante de um gravador e de um entrevistador, Adolfo Mesquita Nunes, Carlos Moedas e Mariana Mortágua sentam-se, à vez. São questionados sobre a primeira memória política que têm – a primeira vez que se imaginaram no papel de políticos, a primeira vez que se interessaram por esta vida. Depois, sobre referências políticas. E ainda respondem sobre quais as medidas que tomariam de imediato, se tivessem poder incondicional nas mãos.

Esta poderia ser a descrição de uma entrevista para um qualquer jornal ou revista, mas não é – faz antes parte do processo de seleção por que os três passaram antes de serem escolhidos pela consultora de comunicação Llorente y Cuenca como os nomes a que é preciso prestar atenção na política portuguesa do futuro. A empresa levou seis meses a entrevistar políticos promissores, que já têm ou poderão vir a ter um papel de liderança no panorama nacional. E chegou a três nomes bem distintos: um do BE, um do PSD e outro do CDS; um faz política na Europa, outros dois jogam em casa; uma é mulher, dois são homens. O que têm, então, em comum estes três políticos?

As intervenções assertivas de Mariana Mortágua na Comissão Parlamentar de Inquérito do BES impressionaram os autores do estudo elaborado por uma consultora

As intervenções assertivas de Mariana Mortágua na Comissão Parlamentar de Inquérito do BES impressionaram os autores do estudo elaborado por uma consultora

Tiago Miranda

“O objetivo foi pensar, num prazo a dez anos, em quais poderiam ser os políticos emergentes”, explica ao Expresso Maria Eça, que participou na elaboração do estudo em Portugal (foi conduzido, nos mesmos moldes, noutros onze países latinos). Para isso, primeiro foi preciso identificar três a quatro nomes de cada partido que se distinguissem na atualidade ou tivessem potencial para vir a destacar-se no futuro. Depois, aconteceu a entrevista sentada: “Queríamos perceber a visão global da política e da sociedade de cada um para o futuro”, detalha a especialista.

Durão, Passos e o “culto da personalidade”

Adolfo Mesquita Nunes relembra em declarações ao Expresso a resposta que deu sobre a sua primeira memória política: as eleições presidenciais de 1986, que opuseram Mário Soares a Freitas do Amaral – com uma segunda volta inédita em Portugal – foram “o primeiro contacto mais avassalador” que teve, aquele que o “seduziu” para a política. Sobre referências políticas, escolheu a antiga primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e o antigo líder do CDS e ex-ministro da Cultura, Francisco Lucas Pires. Carlos Moedas falou de Durão Barroso e de Pedro Passos Coelho, mas também de Simone Veil e Madaleine Albright. Já Mariana Mortágua criticou o “culto da personalidade”, e por isso foi-lhe “difícil escolher um líder português ou internacional como referente”.

Adolfo Mesquita Nunes “despertou“ para a política com as eleições presidenciais de 1986, que opuseram Mário Soares a Freitas do Amaral

Adolfo Mesquita Nunes “despertou“ para a política com as eleições presidenciais de 1986, que opuseram Mário Soares a Freitas do Amaral

Tiago Miranda

O passado, as ideias e... voos mais altos?

Por mais díspares que as respostas sejam – “mais importante do que ser destacado seria que as ideias que defendo pudessem ser concretizadas em vez das ideias de Mariana Mortágua”, ironiza Mesquita Nunes – o traço comum está lá: “Todos mostraram que têm uma perspetiva de futuro”, destaca Maria Eça. O passado também é detalhado: sobre Mesquita Nunes, destaca-se a experiência como deputado e como secretário de Estado do Turismo (entre 2013 e 2015). De Mariana Mortágua, recordam-se as intervenções assertivas na Comissão Parlamentar de Inquérito do BES. E sobre Carlos Moedas, sublinha-se o começo tardio na política e a “origem tecnocrática” da sua carreira, tendo participado em 2011 no grupo de trabalho do PSD responsável pela participação na elaboração do programa de ajuste financeiro da troika.

O trabalho do comissário europeu Carlos Moedas já foi elogiado por Marcelo Rebelo de Sousa

O trabalho do comissário europeu Carlos Moedas já foi elogiado por Marcelo Rebelo de Sousa

Luís Barra

As ideias também são diferentes: do centrista sublinha-se o interesse na “melhoria da competitividade da economia portuguesa”; do social-democrata, o combate contra as “trincheiras políticas” que impedem os partidos de alcançar grandes reformas; e da bloquista, a prioridade dada ao combate contra a precariedade. Em comum, “uma ideia geral sobre democracia e liberdades políticas, independentemente da família política a que pertencem”, pode ler-se no documento.

Não é que seja uma espécie de revelação de novos talentos, na medida em que todos eles já têm lugares de destaque e ocupam cargos com responsabilidade. Aos 32 anos, Mariana Mortágua é dirigente do seu partido e uma das caras mais conhecidas do Parlamento. Adolfo Mesquita Nunes, de 40, é vice-presidente do CDS, vereador na Câmara Municipal da Covilhã e responsável pela coordenação do programa do partido, além de ser constantemente apontado como um dos potenciais próximos líderes democratas-cristãos. Já Carlos Moedas, de 47, é comissário europeu e foi imediatamente referido como hipótese para suceder a Rui Rio, caso tudo corra mal ao líder recém-chegado do PSD – teve até direito a elogios de Marcelo Rebelo de Sousa.

O Expresso perguntou a Moedas se esta distinção serve de alavanca para o futuro, mas para já o social-democrata baixa as expectativas. “Não vejo nada disso. Vejo-o apenas como um elogio simpático à minha atividade internacional nos últimos anos”.